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Jovens do Galpão de Cultura e Cidadania participam de oficina de Culinária Japonesa


GALPãO | OFICINA ESCOLA DE CULINáRIA 23/07/2013

Artur Takemoto e Tatiana Ono são os donos do restaurante Japonês. Especializado na culinária oriental, o restaurante teve sua primeira filial em São Miguel Paulista e fez muito sucesso. “Fomos tão bem recebidos pelos moradores que achamos que devíamos devolver ao bairro um pouco do que conquistamos”, conta Artur. Para retribuir o sucesso, ele e Tatiana passaram a buscar organizações que atuassem na região. Dessa forma, o casal chegou à Fundação Tide Setubal. “Nossa ideia era oferecer Yakissoba para os jovens atendidos das organizações, mas a Lúcia (coordenadora do núcleo Ação Família da Fundação Tide Setubal) me disse ‘por que você, ao invés de dar o peixe, não ensina a pescar’, e decidimos, então, oferecer uma oficina de Yakissoba”, diz Artur.

E assim se deu a Oficina de Culinária Japonesa no dia 22 de julho, no Galpão de Cultura e Cidadania. Participando dela, 15 jovens, de 12 a19 anos ansiosos para aprenderem a fazer o prato. “Optamos pelo Yakissoba porque já existem muitas oficinas de sushi e sashimi, mas os pratos quentes ficam de fora. Além disso, o Yakissoba é um prato que todo mundo conhece”, diz Tatiana. Além dela e de Artur, a oficina contou com a participação de mais três funcionárias do Japonês que auxiliaram os jovens. “Alguns membros de nosso staff até ficaram chateados de não poder participar”, conta Artur.

Após uma breve explicação sobre o prato e a culinária japonesa, os jovens puseram a mão na massa. Começaram cortando os vegetais em pedaços bem pequenos. “O corte dos lugumes deve ser feito em um tamanho que caiba em nossa boca para não precisar cortar com a faca, até porque a maioria das pessoas come yakissoba com hashi”, explica Rose Silva, 42 anos, cozinheira do Japonês. Ela também explica sua motivação para ensinar os jovens “Eu fui trabalhar no restaurante sem saber nada e me ensinaram tudo. Acho que tenho que retribuir e ensinar também”.

E por falar em motivação, os jovens tinham várias razões diferentes para participar da oficina. Danilo Souza, 14 anos, se inscreveu na oficina para aprender a fazer algo sozinho  e agradar sua mãe. “Depois de aprender aqui, vou tentar fazer em casa e dar para minha mãe experimentar. Se ela gostar e comprar as coisas, vou fazer sempre”, diz ele. Já Viviane da Silva, 12 anos, se interessou por fazer a culinária oriental. “Quis participar da oficina para conhecer um prato de outra cultura”. Alisson Ribeiro, 19, diz não saber cozinhar nada e querer aprender. “Minha mãe diz que quando ela não estiver mais aqui, eu vou morrer de fome”, brinca ele. Além disso, Alisson recebeu uma proposta tentadora de seu tio “Ele trabalha num restaurante japonês e me ofereceu um trabalho se eu aprender a cozinhar ”.

Quem quase saiu empregado da oficina foi Rafael Moraes, 15 anos. Maiara Dourado, 19 anos, outra funcionária do restaurante, acompanhava Rafael cortando os vegetais e a carne quando anunciou: “Esse menino aqui nós vamos levar para o restaurante. Ele corta tudo muito rápido e muito bonito!”. Artur concorda: “o corte dele é perfeito”. Não é a toa que Rafael se dá tão bem na cozinha, ele já cozinha diversas coisas em casa como arroz de forno, macarronada e costela. “Sempre foi meu sonho ser chef de cozinha. Decidi participar da oficina para aprender mais uma coisa para quando eu tiver o meu próprio restaurante”, conta ele.

Infelizmente, por conta de sua idade, Rafael não pode ser contratado pelo restaurante. “Se houvessem jovens com mais de 16 anos, a gente até poderia ver uma oportunidade de emprego para quem se saísse bem, como o Rafael” diz Artur.

Legumes e carne cortados e fritos, macarrão cozido, chegou a hora de experimentar a receita preparada pelos próprios jovens. Estava uma delícia e fez muito sucesso entre os jovens. “Vou até repetir”, disse Dimitrius Roberto, 12 anos, um dos jovens participantes da oficina. Izabelle Feitosa, 13, prometeu cozinhar o prato para sua mãe. Mas a receita não foi unanimidade entre os jovens. Roberta Santos, 13 anos, por exemplo, não gostou muito. “Gostei mais ou menos porque não gosto de legumes”, diz ela.

Depois de cozinharem e degustarem o prato, os jovens ainda lavaram toda a louça e limparam a cozinha, e voltaram para suas casas com uma nova receita em seu repertório.