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Fundação Tide Setubal e DRE São Miguel promovem formação em educação integral


INFLUêNCIA EM POLíTICAS PúBLICAS 24/09/2013

A Fundação Tide Setubal, em parceria com a Diretoria Regional de Educação (DRE) São Miguel, promoveu, nos dias 5, 16 e 30 de setembro, o curso de formação Experiências de Educação Integral, voltado a cerca de 70 gestores da educação municipal da rede pública da capital paulista, como diretores, assistentes de diretoria, supervisores, coordenadores pedagógicos e funcionários da DRE.

A formação foi dirigida às 33 escolas de São Miguel Paulista que aderiram ao Programa Mais Educação, do governo federal. Para Beatriz Penteado Lomonaco, consultora da Fundação Tide Setubal que formatou o curso, esse tipo de parceria entre ONG e poder público é proveitosa para ambos, pois tanto o terceiro setor quanto os governos aprendem. “Ao apresentar esse conhecimento ao município, a Fundação atua como intermediária, que auxilia a superar desafios na rede pública de ensino”, completa.

O formato escolhido permitiu mostrar quais propostas em educação integral existem hoje no país e suas vantagens e desvantagens, além de estimular a reflexão e o debate entre gestores e especialistas. Os participantes se reuniram no primeiro dia na sede da DRE de São Miguel para assistir às exposições das convidadas Lúcia Velloso Maurício ‒ professora e pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e estudiosa da educação em tempo integral ‒ e Maria Helena Negreiros ‒ educadora e diretora de Controle Orçamentário e Administração do Quadro do Magistério da Secretaria Municipal de Educação de São Bernardo (SP).
Lucia relatou sua experiência no tema e casos bem-sucedidos no Ceará. “A educação integral no Brasil deve ser obrigatória e em tempo integral: no pós-aula, o aluno também tem de continuar aprendendo. Quando isso for finalmente colocado em prática, obteremos mais sucesso escolar.”, ressaltou. Maria Helena contou sobre desafios e avanços no município do ABCD paulista na implantação da educação integral e apresentou resultados. “Aderimos ao Mais Educação, mas criamos um desenho local: temos 8 organizações sociais da comunidade, conveniadas com a prefeitura, que recebem recursos para contratar educadores. Essa junção foi um jeito interessante de o programa funcionar e promover a formação humana das crianças. E uma forma de nos ajudar a superar cada dificuldade no processo é celebrarmos qualquer conquista obtida, por menor que ela seja.”

Para Vera Maria de Souza, diretora de Orientação Técnico-Pedagógica da DRE São Miguel, o assunto é de grande relevância, pois a capital paulista ainda encontra muitos entraves para a adoção desse tipo de oferta educativa. “As palestrantes trouxeram dificuldades e cases de sucesso para que aprendêssemos um pouco mais sobre o tema. Com essa troca de experiências, pudemos ver que é algo aplicável e muito bom para os alunos e para a cidade”, relatou.

No segundo encontro, os gestores visitaram São Bernardo, para conhecer escolas do Projeto Tempo de Escola, de educação integral, e conversar com as equipes, como a do CEU Celso Augusto Daniel e a das ONGs executoras. O último dia, seguindo os objetivos da consultora Beatriz e da técnica de projetos de educação integral do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Letícia Araújo Moreira da Silva, foi reservado à apresentação, por ambas, de experiências nas redes públicas municipais e estaduais brasileiras no assunto, suas dificuldades e as soluções encontradas pelos gestores de cada localidade. Os participantes podiam tirar dúvidas e debater com as pesquisadoras.

Gestores opinam sobre a formação

“Espero que a formação deixe diretores, coordenadores e supervisores ‘incomodados’. É necessário fazer por onde e não ficar esperando soluções. Precisamos começar a agir para encontrar saídas para oferecer uma educação de qualidade, com currículo integrado, que compreenda as concepções de pessoa, de convivência e de sociedade”. – Arnaldo Lopes Siqueira, assistente técnico educacional na DRE São Miguel e coordenador pedagógico na EMEF Raimundo Correia, no Pq. Paulistano

“Já percebemos na sala de aula que os alunos da formação integral ficam mais desinibidos, comportam-se melhor em atividades e despertam para a questão corporal. Essa formação é empolgante e nos deixa com mais vontade de que a escola tenha mais recursos. É um incentivo a mais para continuar.” – Heloísa Fernandes Lima, coordenadora pedagógica na EMEF Vicente Amato Sobrinho, no Jd. das Oliveiras

“Em São Paulo (SP), já aconteceram parcerias com ONGs para contratar oficinas, e isso não se configurou numa relação forte. Aqui, em São Bernardo, parece-me que eles têm uma preocupação em alinhar a relação da ONG com a escola e a secretaria e formar os educadores. É interessante também pensarem que a educação integral precisa ser feita com educador social e não com voluntários apenas, o que a torna muito precária.” - Maria Claudia Fernandes, diretora da EMEF Armando Cridey Righetti, na Vila Aimoré

“Minha escola ainda está aderindo ao Mais Educação. Para escolher as atividades, faremos levantamento com as crianças, os pais e a comunidade. Estou no processo de conhecer experiências já em andamento, como São Bernardo, para verificar prós e contras. Pela palestra, vi que é necessário o diálogo entre professores e educadores para que alinhem currículo e atividades da educação integral e estabeleçam questões comuns.” - Patrícia Della Costa de Azevedo, coordenadora pedagógica da EMEF General Newton Reis, no Jd. Silva Teles

“Minha escola está inscrita no Mais Educação, mas ele ainda não está acontecendo por uma série de questões, inclusive a de espaço, como foi falado pelas palestrantes. Temos a expectativa de oferecer atividades que envolvam expressão corporal, para que as crianças saiam da sala efetivamente. A formação está permitindo ver o que dá certo em determinadas experiências e como isso ocorre.” - Patrícia Gianela, coordenadora pedagógica da EMEF Padre José de Anchieta, na Vila Progresso

“O principal resultado da educação integral está no aumento do vínculo das crianças com a escola, o que faz com que se sintam mais motivadas a estudar e fiquem mais aptas a aprender. Essa formação é uma oportunidade de trocarmos experiências com outra rede que já está implantando há mais tempo do que nós o Programa Mais Educação e tem experiências de sucesso.” – Rubens Alexandre, diretor da EMEF José Honório Rodrigues, no Jd. dos Ipês