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Engajamento de população e parceiros marca Festival do Livro 2013


FESTIVAL DO LIVRO E DA LITERATURA | PROGRAMAçãO CULTURAL 22/11/2013

De 7 a 9 de novembro, mais de 20 pontos de São Miguel Paulista, na região leste de São Paulo (SP), receberam o Festival do Livro e da Literatura, que, pela quarta vez, encheu o bairro de cultura. Realizada pela Fundação Tide Setubal, a maior festa literária da zona leste atraiu cerca de 10.300 pessoas.
Destacaram-se em 2013 a adesão de mais de 50 instituições de ensino, ONGs e coletivos culturais, a doação de 4.900 livros, as vendas de centenas de títulos com descontos, por dez editoras, e as conversas com os escritores Ignácio de Loyola Brandão, Fabrício Carpinejar, Paulo Lins, Ferréz e Leonardo Sakamoto, além das presenças do comunicador social colombiano Jorge Melguizo, criador dos primeiros parques-biblioteca da cidade de Medellín, e do secretário municipal da Cultura de São Paulo, Juca Ferreira.

"É emocionante ver o movimento pelo livro e pela literatura que o Festival proporciona. A campanha de arrecadação pela cidade, a criação da programação com os diferentes parceiros e a presença dos moradores no espaço público revelam o sentimento de descoberta coletiva, de pertencimento e de celebração, transformando o festival em uma festa com a identidade do território e a cada ano mais bonita", afirma Maria Alice Setubal. 


Paula Galeano, superintendente da Fundação Tide Setubal, acredita que a edição teve um sabor especial pelo aumento do envolvimento dos parceiros e da participação do público. “Sentimos que o Festival entrou definitivamente no calendário da região. Tivemos programação em diversos locais e atuação marcante de professores, educadores, alunos, bibliotecários, organizações locais, universidades e coletivos. Todos se uniram à Fundação como parceiros na programação e na execução, e não apenas como meros espectadores”, analisa.

Para Paula, o êxito resulta de um trabalho que acontece durante todo o ano e que conta com o apoio de parceiros estratégicos: a Universidade Cruzeiro do Sul, o SESC e a Prefeitura. “O Festival apenas dá luz a toda essa riqueza de São Miguel. E foi realmente muito bacana ouvir do Ferréz e do Ignácio de Loyola que estava tão animado quanto a Flip. Isso é uma honra!”, avalia. “Ações como o Festival, que conectem a imaginação das pessoas ao espaço urbano, tornando-o acolhedor, criativo, solidário e humanizado, são muito importantes para que São Paulo garanta espaços de convivência harmônica e pacífica”, completa.

 Inácio Pereira dos Santos Neto, coordenador do Núcleo ArteCulturAção, da Fundação Tide Setubal, e organizador do evento, salienta que o festival é um processo coletivo, com o protagonismo dos atores locais. “Bons exemplos de resultados estão na adesão crescente e na boa qualidade dos trabalhos vistos nas escolas, bibliotecas, espaços culturais, ruas e praças”. Segundo ele, para a realização da festa, é imprescindível “a abertura ao diálogo construtivo e a novos arranjos socioculturais, balizados pela alteridade dos participantes e pelos direitos humanos, sobretudo o direito à literatura e à cidade, a qual é a matéria-prima desta festa literária do povo”.

  

Parcerias estratégicas

Segundo o subprefeito de São Miguel Paulista, Aldo Antunes de Faria Sodré, a Fundação desenvolveu “um trabalho fantástico”, pois envolveu grupos artísticos de vários segmentos, trocas de livros e debates, entre outros. “Eventos como este trazem grandes benefícios ao bairro, à medida que incentivam a leitura, a imaginação e a criatividade e, consequentemente, o prazer pelos livros, sobretudo para os jovens. O Festival trouxe vida e alegria aos pontos onde se fez presente, e São Miguel agradece sorrindo”.

Janice Valia de Los Santos, pró-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade Cruzeiro do Sul, conta que, na edição 2013, a instituição ampliou o envolvimento de suas equipes docente e discente e de programas de extensão. “Além disso, redobramos os esforços para a campanha de doações de livros e atuamos no suporte logístico para que as ações ocorressem em espaço adequado”, relata. “Temos o compromisso de participar da construção e difusão do conhecimento e da cultura, então, apoiar e participar dessas iniciativas significa uma oportunidade de contribuir como agente social e membro da comunidade de São Miguel e região. A participação do público e depoimentos de alunos, professores e funcionários confirmam o sucesso, e a Universidade deseja a continuidade da parceria”.

Escolas municipais e estaduais  de ensino fundamental e médio participaram da festa oferecendo atividades literárias protagonizadas por seus professores e alunos ou como público-alvo da vasta programação nas ruas, praças, clubes e bibliotecas.
O SESC Itaquera colaborou mais uma vez por meio de contações de história, apresentações teatrais, intervenções artísticas, contratação da banda Nhocuné Soul, que encerrou a festa no sábado, e locação de equipamentos. “É essencial que a instituição participe, porque esse é um dos maiores e mais importantes eventos da capital e até do estado de São Paulo. Neste ano, o objetivo foi ampliar o leque do que já vinha sendo feito, para abrilhantar o Festival com outras intervenções”, avalia Sergio Lopes Servollo, animador cultural do SESC Itaquera.

A Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas (CSMB) destinou novamente o Ônibus Biblioteca, que leva livros, jornais, revistas e gibis e programação cultural às comunidades mais afastadas do Centro. De acordo com Doroty Rojas, assistente de Gestão de Políticas Públicas da CSMB, o ônibus recebeu mais de 2 mil pessoas durante o Festival. “Estamos juntos desde o início, para estreitar a relação entre a literatura e as pessoas. Fixar no calendário da cidade um evento desse porte deve servir de exemplo para as demais regiões.” Para o coordenador do projeto, João Batista de Assis Neto, “a equipe se sentiu em casa, em um espaço onde as pessoas que já são literárias ficaram ainda mais, e as que ainda não são certamente foram tocadas”.

A população de São Miguel Paulista também teve acesso à compra, com até 50% de desconto, de exemplares variados de nove editoras e de um livreiro, em uma grande tenda na praça Morumbizinho. Estiveram presentes: Biqueira Literária, Expressão Popular, Manole, Martin Claret, Publifolha, Quilombhoje, Rettar, WMF Martins Fontes, Companhia das Letras e livreiro Gilberto.