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Professores passam por formação de criação de games


INFLUêNCIA EM POLíTICAS PúBLICAS | FORTALECIMENTO 05/10/2015

“A valorização da escola pública passa pelas experiências e ousadias vivenciadas, criadas e aplicadas pelos educadores.” A reflexão de José Adeve, o Cometa, coordenador do Núcleo de Comunicação Comunitária da Fundação Tide Setubal, aconteceu, recentemente, durante a formação dos Professores Orientadores de Informática Educativa (POIEs). Para ele, exercitar as habilidades mentais e a imaginação de crianças e jovens tornou-se um grande desafio para os professores.

Sob essa óptica, a Fundação Tide Setubal, em parceria com a Diretoria Regional de Educação (DRE) de São Miguel, promoveu o curso O Educando como Autor e Regulador de sua Aprendizagem. Aproximadamente, 80 educadores participaram da formação, que foi dividida em duas turmas. A proposta era despertar a imaginação dos professores com uma oficina de jogos interativos.

Na avaliação de Felipe Vila, sócio-diretor da i9Ação, empresa desenvolvedora de soluções interativas de aprendizagem e responsável pela metodologia de construção de jogos durante a formação, a gamificação é capaz de levar leveza, integração e divertimento às salas de aula, além de gerar a aceleração da aprendizagem e proporcionar que os participantes coloquem em prática o que foi aprendido. Ele explica que os games engajam três partes do cérebro necessárias para a formação da memória em longo prazo: a parte racional e lógica, emocional e a motora.

“Criar em cima daquilo que você aprendeu é o ponto máximo, pois isso auxilia na transformação da realidade”, explica.

Na prática, durante a formação, os educadores foram divididos em sete grupos para criarem games coletivos. Eles trabalharam os seguintes temas: bullying, trânsito, consumo consciente, alimentação, diferenças, água, entre outros. Cada grupo nomeou um guardião, responsável por explicar o jogo criado para os outros grupos. “Nunca participei de uma dinâmica como essa. Achei bem interessante a metodologia. Ela pode ser aplicada facilmente dentro da sala de aula, fazendo com que os alunos reflitam sobre o próprio aprendizado”, diz Cristovan Ramos Matos, do CEU EMEF Parque São Carlos.

Para Sidney Augusto da Silva, da EMEF Dr. João Augusto Breves, a formação foi uma surpresa. “O curso desmistificou a ideia de que precisamos de um computador para desenvolver jogos. É possível criarmos jogos criativos e com conteúdo utilizando a imaginação, lápis e papel.”

Quem concorda com Sidney é Elaine Queirós, da Divisão de Orientação Técnico-Pedagógica (DOT-P), da DRE de São Miguel. “Quando pensamos nessa formação, queríamos que houvesse uma mudança de paradigmas. Queríamos que os professores percebessem que existem outras possibilidades que não estão diretamente ligadas a um computador ou à criação de um ambiente virtual.”

Na opinião de Elaine, o curso abriu novos horizontes para que os educadores adotem as práticas pedagógicas e possam trabalhar com o desenvolvimento de projetos. “Essa experiência de cocriação de games é extremamente importante para despertar um novo olhar dos educadores sobre as práticas pedagógicas.”

Outro ponto importante foi levantado por Andrelissa Ruiz, assistente de projetos da Fundação Tide Setubal. Para ela, os alunos também devem se engajar na experiência e se tornarem parceiros dos professores. “A metodologia pode ser aplicada utilizando conteúdos de matemática, geografia, português, entre outras. Os alunos precisam entender o significado de construir games reais e como isso contribui na fixação da aprendizagem ou na descoberta de novos conteúdos.”

 

Depoimentos:

“A formação foi muito bem direcionada. A ferramenta é mais um meio para tornar o aprendizado mais interessante”, Livia Marques, EMEF Izabel Aparecida Cristóvão da Luz

“O curso foi muito prático e didático. Se a metodologia aprendida for muito bem aplicada dentro das salas de aula, poderemos obter resultado num curto espaço de tempo”, Nadia Tripeno, EMEF Carlos Pasquale

“Já participei de diversas formações, mas essa metodologia me motivou bastante. A experiência de aprendizagem coletiva pode funcionar e ser bem positiva para professores e alunos”, José Rivaldo, EMEF Hélio Tavares