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Galpão de Cultura e Cidadania recebe Jaílson de Souza e Silva para debate sobre Território Educador no Jardim Lapenna


QUALIDADE DE VIDA | MOBILIZAçãO | GALPãO 06/06/2016

“Sou filho de nordestinos, preto, favelado, estudante de escola pública, o caçula de uma família grande e fui o primeiro a cursar a universidade”, assim se apresentou Jaílson de Souza e Silva, que esteve no Galpão de Cultura e Cidadania, no Jardim Lapenna, em São Miguel Paulista, na tarde do dia 23 de maio para uma roda de conversa.

O convite para conhecer o trabalho de Jaílson e sua atuação teve como objetivo contribuir com a articulação do Território Educador, proposta que surgiu da reflexão da equipe do Galpão de Cultura e Cidadania durante a construção do seu projeto político-pedagógico e está sendo desenvolvida em parceria com os moradores, representantes de organizações não governamentais e de equipamentos públicos da região. “Desenhamos um mapa do Jardim Lapenna e percebemos que ele está ‘isolado’ do restante do bairro de São Miguel Paulista, porque, de um lado, está a linha do trem, do outro, o rio; em uma lateral, a Rodovia Ayrton Senna e, na outra, um muro. No entanto, a configuração geográfica não impede que os atores da região trabalhem para contribuir com o desenvolvimento local e, normalmente, fazem isso em rede”, destaca Izabel Brunsizian, coordenadora do Núcleo Qualidade de Vida, que conduz com a equipe a criação do Território Educador.

Durante a conversa, Jaílson destacou a importância do olhar para o território. “As ações realizadas nos territórios não deveriam ser baseadas nos dados de vulnerabilidade, mas, sim, em índices positivos. Precisamos pensar em indicadores que mostrem o que estamos produzindo.”

Nesse sentido, Jaílson criou o Observatório de Favelas, que hoje se desdobra em uma série de projetos e ações sobre e para a comunidade, como Escola Popular de Comunicação e Crítica (Espocc), Bela Maré, Arena Carioca Dicró, Imagens do Povo, diversas pesquisas entre outros. Os cursos que ocorrem nesses espaços têm o objetivo de apresentar a beleza, a alegria e as invenções do território, “eles são de excelente qualidade e são muito procurados, tanto que tivemos que abrir ‘cotas para a classe média’; o pessoal de fora da favela quer frequentar os cursos, porque são bons. Para nós, esse interesse também é importante porque, assim, fazemos com que essas pessoas tenham um novo olhar sobre a favela e a cidade”, conta Silva.

A roda de conversa buscou trazer inspiração para o grupo envolvido com o Território Educador do Jardim Lapenna. “Só tenho que agradecer esse passo, porque, hoje, o que está acontecendo aqui é, a bem dizer, uma reintegração de todos. Eu achei essa conversa muito fácil de entender e me senti lá no Rio de Janeiro; eu nunca fui para lá e tenho medo, mas eu me sinto lá na favela onde ele se criou”, afirmou José Divino Andrade, artesão e morador da região há cerca de 60 anos.

Já Wesley Soares Santos, participante do Espaço Jovem da Fundação Tide Setubal, quer contribuir com o território onde mora desde que nasceu. “Meu propósito para a comunidade é de, quando eu estiver, vamos dizer, ‘um pouco mais evoluído’, ajudar no que conseguir”, assegurou.

Claudia Rosalina Adão, assistente social do Centro Social Marista Irmão Justino, finalizou: “Saio daqui bem inquieta, com várias questões, mas muito confiante na capacidade do território de comunicar-se, de criar novas estéticas e, principalmente, de enxergar suas potências nas pessoas e nos equipamentos”.

O próximo encontro do projeto Território Educador está marcado para 24 de junho, às 14 horas, no Galpão de Cultura e Cidadania no Jardim Lapenna.