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Grupos teatrais escrevem projeto conjunto para edital de Fomento à Periferia


TEATRO | MOBILIZAçãO | FORTALECIMENTO 23/09/2016

Fortalecer as organizações locais é uma linha de atuação da Fundação Tide Setubal que possibilita a ação conjunta e o estímulo a diferentes ações no território. Parceiros na execução de oficinas de teatro, a Fundação Tide Setubal e o Espaço Cultural Aldeia Satélite se uniram para apoiar coletivos e artistas independentes do teatro de São Miguel Paulista em escrita conjunta de projeto para edital do Programa de Fomento à Cultura da Periferia.

O programa recém-criado atende à Lei de Fomento às Periferias, também recém-sancionada e que contou com a mobilização da Fundação em uma roda de conversa realizada no mês de junho na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP Leste). Seus principais objetivos são ampliar o acesso aos meios de produção e fruição dos bens artísticos e culturais pelos moradores de regiões com alto índice de vulnerabilidade social, consolidando o direito à cultura, reconhecendo a pluralidade cultural e fortalecendo as práticas artísticas relevantes com reconhecido histórico de atuação. Dessa forma, 70% dos projetos contemplados devem acontecer e ter proponentes nas regiões com mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e com mais de 20% dos domicílios com renda pessoal de até meio salário mínimo.

Segundo Inácio Pereira dos Santos Neto, coordenador de cultura da Fundação, um dos papéis da instituição é articular os diferentes atores locais. “Conectar os grupos que já desenvolvem seus trabalhos a ações do poder público local é importante para fortalecer o teatro na região, não somente para a produção individual, mas também para que possam refletir sobre a prática no território e convergir propostas e projetos a partir da ajuda mútua.”

Nesse sentido, com a aprovação da Lei de Fomento à Periferia, movimento também apoiado pela Fundação, o módulo de Elaboração de Projetos do Núcleo ArteCulturação, da Fundação, em parceria com o Espaço Cultura Aldeia Satélite, foi antecipado. “Adiantamos a realização justamente para que conseguíssemos cumprir a data-limite da entrega do projeto e não perder essa importante oportunidade, tendo em vista que todos nós atuamos em território periférico”, declara Neto.

Com base em um mapeamento da rede de relacionamento do Espaço Cultural Aldeia Satélite e da Fundação com coletivos e artistas individuais de teatro da região, foi disparado um convite para participação no módulo de Elaboração de Projetos e surgiu a proposta de desenvolvimento de um projeto conjunto para o fomento.

“A proposta do coletivo de que faço parte e da Aldeia Satélite é trabalhar as questões locais, e essa parceria com outros grupos teatrais para tentar o fomento à periferia também visa a isso”, conta Claudemir Santos, diretor do Alucinógeno Dramático, teatro experimental e integrante da gestão do Aldeia Satélite, espaço cultural independente localizado em São Miguel Paulista.

Alucinógeno Dramático, Ato Real Fora do Tempo, Ansur, Marmotarte, Ventarte, Cia. Real Lúdica de Teatro e alguns artistas independentes de São Miguel Paulista se interessaram pela proposta. “É difícil conseguir patrocinadores na região, então a única forma de obter financiamento para disseminar o processo cultural e formar o público local é por meio dos fomentos públicos”, afirma Eduardo Saliveira, um dos fundadores do coletivo teatral Ventarte.

A leitura do Programa de Fomento à Periferia, as discussões sobre a prática dos participantes do módulo e os desafios encontrados por eles no território formaram o ponto de partida para a discussão. A partir desse diálogo, o projeto foi construído com base nos pontos que uniam os grupos, chegando ao objetivo da proposta inscrita no edital, que é de provocar a reflexão e a produção teatral em escolas de São Miguel Paulista.

“Os grupos já tinham alguma experiência na escrita de projetos para editais, muitos já foram contemplados pelos programas do VAI e Proac, o que facilitou o trabalho, já que tínhamos pouco tempo para enviá-lo”, explica Marcos Gomes, responsável pelas aulas do curso.

Um marco para a cena teatral de São Miguel Paulista, o projeto construído a várias mãos foi inscrito no também inédito e importante edital do Programa de Fomento à Cultura da Periferia. No entanto, o trabalho dos grupos não se encerrou, conforme relata Gomes: “O módulo de escrita de projetos continua, estamos aprimorando o material que criamos e seguido com nossas discussões”.

Além disso, surgiu, durante esse processo, uma nova demanda: criar também um fórum de teatro para dialogar sobre a cena cultural do bairro e promover a troca de experiências entre os participantes.

“Na nossa primeira conversa, percebemos que o fórum era uma necessidade para que os grupos se conhecessem, trocassem entre si ideias e que soubessem da existência um dos outros”, conta Lucas Laureno, artista independente e responsável pelas oficinas de teatro para iniciantes da Fundação Tide Setubal.

Rafaela Terriaga, integrante do grupo Ansur, afirma: “O fórum é um processo de evolução tanto para mim, como atriz, quanto para o coletivo. Somos um grupo novo, e conhecer a experiência de outros artistas de teatro da região é muito importante”.

Essa ação ainda está sendo fortalecida e a ideia é envolver os diversos coletivos e artistas independentes de teatro de São Miguel Paulista. Os interessados podem participar das reuniões do grupo, que acontecem aos sábados, das 14h às 17h, no Espaço Aldeia Satélite (Rua Tenente Luís Fernando Lôbo, 118 – São Miguel Paulista).

Clique aqui e assista ao debate Direito à Cidade, Educação, Cultura e Sustentabilidade, com Elaine Mineiro, do Movimento Cultural das Periferias, que abordou a Lei de Fomento às Periferias.