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A produção periférica das mulheres encerra o ciclo de conversas com autoras


PROGRAMAçãO CULTURAL | MOBILIZAçãO | LEITURA | FESTIVAL DO LIVRO E DA LITERATURA 10/12/2016

A literatura feita por mulheres tende a ser silenciada nos mais diversos espaços, mesmo as produções periféricas que buscam lutar contra as mais diversas desigualdades acabam reproduzindo os padrões machistas em relação à presença feminina. Encerrando o ciclo de conversas com autoras do 7º Festival do Livro e da Literatura de São Miguel, que abordou o tema Narrativas de Gênero: feminino, feminismo e outras histórias, as convidadas da mesa do dia 11 de novembro, Jéssica Balbino, Jenyffer Nascimento e Luz Ribeiro, debateram sobre Mulheres na Produção Periférica.

Para Jéssica Balbino, jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade de Campinas, mediadora da conversa, é muito importante e urgente discutir sobre a literatura periférica produzida por mulheres. “Esse encontro mostra que tem pessoas preocupadas e olhando para nossa produção. E, sobretudo, atrai jovens estudantes para esse debate. Vejo isso como uma revolução”, afirmou.

Recentemente, Jéssica lançou sua pesquisa de mestrado Pelas Margens – Vozes Femininas na Literatura Marginal Periférica, que busca responder, na prática, quem são essas mulheres, o que elas fazem, como vivem, como começaram a escrever, que saraus e espaços frequentam e sobre o que escrevem.

Luz Ribeiro autora do livro Eterno Contínuo, integrante dos coletivos Slam do Treze, Poetas Ambulantes e Slam das Minas, batalha de poesia falada formada exclusivamente por mulheres, ressaltou a importância de o debate ter sido feito por mulheres. “É muito significativo o Festival de São Miguel abordar essa temática de gênero e compor uma mesa como essa de que participei, que contemplou mulheres, negras, que fogem dos padrões de beleza impostos pela sociedade, mulheres da periferia e que fazem poesia”, declarou.

“Esse encontro é uma oportunidade para trocarmos experiências. De repente, tem pessoas aqui que já escrevem, fazem poesia, rap e, a partir das vivências que nós contamos, elas se empoderam e se engajam nas suas próprias produções”, refletiu a poeta Jenyffer Nascimento, que também participou da mesa.

Autora do livro Terra Fértil, Jenyffer afirmou acreditar no diálogo como uma ferramenta educativa e transformadora. Além disso, finalizou com um recado: “As mulheres sabem falar sobre diversos assuntos, não só sobre feminismo. Então, mais mulheres em todas as atividades. Mesmo que o tema não seja mulher negra, ou mulher periférica, mas que a gente consiga de fato colocar isso como uma questão, que sempre tenha mulheres e mulheres diversas”.

Daniela Santos, estudante do curso de Letras da Cruzeiro do Sul, participou do encontro e destacou a importância de um debate atual no espaço da universidade. “Já conhecia o hip hop e vários movimentos da periferia, mas não tinha tido contato com a literatura periférica. A oportunidade de conhecer essas produções, que são riquíssimas, é muito importante, ainda mais no espaço da faculdade. Precisamos de mais eventos como esse.”