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Em intervenção na comunidade, jovens tocam e distribuem livros em ruas e praça


26/10/2009

Na tarde do dia 6 de outubro, cerca de 20 jovens, com idade entre 14 e 20 anos, percorreram a pé as ruas do bairro de São Miguel Paulista numa autêntica intervenção cultural coletiva. Enquanto caminhavam, eles distribuíram livros gratuitamente e tocaram músicas para os transeuntes.

Essa ação constituiu uma aula aberta de dramaturgia dos alunos do Núcleo de Formação Sociocultural, que integra o Projeto ArteCulturAção, da Fundação Tide Setubal. O propósito da aula na rua foi colaborar para que os jovens se reconheçam no próprio espaço e que tenham contato e interajam com a comunidade.

Para Marina Corazza, atriz, educadora do Núcleo e integrante da Companhia Auto-Retrato, esse formato chama a atenção dos moradores para a questão da ocupação do espaço público e, ao mesmo tempo, incentiva a leitura, por meio da doação de livros. “É uma forma diferente de estabelecermos contato com os que estão caminhando perto de nós. A ação surpreende a todos positivamente, mostrando que o diálogo é possível”, afirma.

Teatro para reflexão cidadã

A proposta do Núcleo de Formação Sociocultural é trabalhar uma nova visão sobre a dramaturgia, exercitando a leitura crítica da realidade por meio de textos e de intervenções teatrais. Em ações como esta, emprega-se a linguagem teatral para construir nos jovens uma relação cidadã com seu bairro. “Utilizamos o teatro como suporte do debate sociocultural, abordando o nosso ambiente, a cidade e o espaço público”, relata Inácio Pereira dos Santos Neto, assistente de coordenação do Projeto ArteCulturAção.

“A proposta do Núcleo não é formar atores profissionais, mas criar um espaço salutar de discussão a partir da dramaturgia, que envolve principalmente a reflexão sobre os personagens, seus conflitos e seu cotidiano”, explica. Dessa forma, o aprendizado do jovem não se limita ao ato de escrever textos, atuar, montar cenários e figurinos, mas, sim, de construir coletivamente seu juízo crítico na sociedade.

O grupo de jovens partiu do CDC Tide Setubal às 15h45, ao som de uma alfaia, passando por diversas ruas do bairro até a avenida Marechal Tito, uma das principais vias de circulação em São Miguel Paulista. Os cerca de 20 livros entregues ao longo da intervenção, a maioria de literatura, pertenciam aos próprios jovens ou faziam parte do acervo da Casa Caipira, no CDC Tide Setubal.

Na praça Triângulo Mineiro, os jovens se reuniram em círculo, cantaram e tocaram violão. Um deles perguntou a uma senhora que passava qual música gostaria de ouvir. Ao que ela respondeu: “Garçom”, de Reginaldo Rossi, e teve seu pedido atendido pelo grupo.

Opinião de quem participou

“Foi uma aula diferente e legal, porque incentivávamos a leitura e, ao mesmo tempo, nos sentíamos estimulados a continuar. Entreguei um exemplar de Estorvo, do Chico Buarque, a uma senhora que não sabia ler. Ela me disse que levaria aos filhos e netos e que, no dia em que aprender, lerá este também. Se lhe faltava incentivo, acho que este foi um empurrãozinho.” Jaqueline Jade Mendes Minas, 14 anos, aluna do oitavo ano do ensino fundamental da Escola Estadual Ataulpho Alves, em São Miguel Paulista, integrante do Núcleo de Formação Sociocultural

“Foi uma aula diferente e legal, porque incentivávamos a leitura e, ao mesmo tempo, nos sentíamos estimulados a continuar. Entreguei um exemplar de Estorvo, do Chico Buarque, a uma senhora que não sabia ler. Ela me disse que levaria aos filhos e netos e que, no dia em que aprender, lerá este também. Se lhe faltava incentivo, acho que este foi um empurrãozinho.” Jaqueline Jade Mendes Minas, 14 anos, aluna do oitavo ano do ensino fundamental da Escola Estadual Ataulpho Alves, em São Miguel Paulista, integrante do Núcleo de Formação Sociocultural

“O que mais me chamou a atenção foi como as pessoas não têm tempo para nada, vivem de forma corrida e ficam mecanizadas: poucos que passavam na praça paravam para olhar o que estava acontecendo e, quando abordávamos alguém para conversar, alguns pensavam que seriam roubados ou diziam que não queriam comprar nada. Ainda assim, a aula foi uma boa maneira de convidar os moradores a conhecer as atividades do grupo e a olhar nosso bairro.”
Isabela Cavalcanti Martins, 14 anos, aluna do oitavo ano do ensino fundamental da Escola Estadual Ataulpho Alves, em São Miguel Paulista, integrante do Núcleo de Formação Sociocultural