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Comunidade Zona Leste Sustenta nasce para promover o desenvolvimento local


27/09/2010


Primeiro, segundo e terceiro setores trabalhando juntos pelo desenvolvimento sustentável da Zona Leste da capital paulista. Essa é a proposta da Comunidade Zona Leste Sustenta, que foi apresentada em evento realizado na Subprefeitura de São Miguel Paulista, no dia 29 de setembro. Entre outros parceiros, a iniciativa congrega: Fundação Tide Setubal, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Subprefeitura de São Miguel Paulista, Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), USP Leste e Instituto Ethos.

O norte das ações está no próprio lema da ZL Sustenta — “desenvolvimento autônomo, produzido pela comunidade dentro da própria comunidade”. Todas as organizações envolvidas vão pensar e propor, ao lado de lideranças locais, caminhos que levem crescimento econômico e avanços sociais para região. E foi do contato com as carências e potencialidades dos bairros de Ermelino Matarazzo, Itaim Paulista e São Miguel que a Comunidade criou o Fundo ZL Sustentável.

O Fundo vai captar e investir recursos em projetos que possam gerar opções de trabalho e renda socialmente justas e ambientalmente sustentáveis. Em 1° de outubro, abre seu primeiro edital anual. Serão concedidos créditos de até R$ 50 mil a cada micro e pequeno empreendimento selecionado, como fundo perdido. Paralelamente, os projetos receberão apoio técnico. Os recursos iniciais somam R$ 400 mil e as inscrições vão até 1° de novembro (leia mais).

Segundo Maria Alice Setubal, presidente da Fundação Tide Setubal, a Comunidade vai ao encontro dos princípios da Fundação: “somos articuladores nessa ação conjunta, com investimento na comunidade e com a comunidade, em busca do desenvolvimento local”. Nesse contexto, Maria Alice explica que o ZL Sustentável é um caminho concreto para fomentar o associativismo e a cooperação entre empreendedores locais, criando parcerias que possibilitem a constituição de cadeias produtivas locais.

Milton Persoli, subprefeito de São Miguel Paulista, considera a iniciativa fundamental. “Nossa região sofre com a informalidade. Por exemplo: tenho um processo licitatório para um grande lote de compra de uniformes. Gostaria que empresas daqui pudessem concorrer, mas não há como. O Fundo as ajudará a se legalizarem e, devido às capacitações, elas ganharão competitividade no mercado.”

Mapeamento prévio

Antes de criar o Fundo, a Comunidade mapeou as atividades produtivas locais a partir de dados das subprefeituras. Em seguida, empreendedores que foram identificados responderam a um questionário, cujo objetivo era verificar em qual estágio se encontravam as iniciativas e como deveria ser a assessoria necessária para desenvolvê-las. Outro passo foi a realização, em parceria com Unicsul e Sebrae, de encontros de sensibilização com empreendedores locais para apresentar essa nova proposta para região. Com o lançamento do edital, haverá formações para elaboração de projetos.

“O Fundo é voltado preferencialmente para empreendimentos com dificuldades em obter empréstimo em banco ou para quem que não tem acesso a crédito formal”, resume Paula Galeano, coordenadora geral da Fundação Tide Setubal. “E para que se tornem sustentáveis, além do recurso financeiro, receberão apoio técnico em gestão, marketing e finanças”, completa. Nesse ponto, entram Unicsul e Sebrae. A partir do resultado do edital, essas instituições passarão a atuar na capacitação e no acompanhamento dos selecionados.

Na Unicsul, a empresa júnior será a principal responsável pelas atividades de assessoramento e consultoria. Segundo Renato Padovese, pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da universidade, o trabalho do Fundo contribuirá para geração de renda e emprego na região, auxiliando no avanço dos indicadores sociais. “Além de nossa empresa júnior, temos procurado outros caminhos de apoio, como constituir um observatório de indicadores socioeconômicos e concretizar o projeto de uma incubadora de empresas.”

No Sebrae, o superintendente Ricardo Tortorella explica que haverá muitas oportunidades para os empreendedores financiados pelo ZL Sustentável: “Vamos ajustar nossa grade de atividades para eles, oferecendo diversas ferramentas de gestão”, comenta.

O Fundo permanece aberto a participações variadas. Desde doações financeiras de empresas, micro empresários ou pessoas físicas (sem limite de valor ou regularidade), até contribuições para a cadeia ou para os empreendedores. É o caso de empresas que se comprometam em adquirir regularmente produtos e serviços dos projetos ou de uma pessoa física/organização que queira ofertar consultoria e assessoria técnica aos selecionados.

Cunho territorial

A gestão do Fundo ocorrerá por meio de dois comitês: o programático e o financeiro. O primeiro é composto por lideranças dos bairros abrangidos e representantes das seguintes instituições: Associação Comercial da Zona Leste, Fórum de Desenvolvimento Econômico da Zona Leste, Fundação Tide Setubal, Instituto Ethos, Sebrae, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho de São Paulo, Subprefeitura de São Miguel, Unicsul e USP Leste. Ele define as regras e coordena o processo de seleção dos projetos a serem financiados.

O comitê financeiro está sob a responsabilidade da Fundep, órgão ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a depositária, que administrará e prestará contas sobre a aplicação dos recursos.

De acordo com Gabriel Ligabue, consultor responsável por desenhar os detalhes de funcionamento do ZL Sustentável, a gestão participativa é um de seus diferenciais. “No comitê gestor, há lideranças comunitárias ajudam a definir os critérios de aplicação dos valores, por exemplo.” Outro destaque é o cunho territorial e não temático. “Vamos desenvolver o território. Temos uma visão sistêmica e não apenas de um projeto.” Mais informações em www.zlsustenta.org.br.