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Programa Ação Família expande ações para escolas públicas, UBS e ONG


30/05/2011

Em 2011 o Programa Ação Família São Miguel expandiu suas atividades para outras localidades de São Miguel Paulista. Antes, a abrangência restringia-se a dois núcleos: um no CDC Tide Setubal, no Jd. São Vicente, e outro no Galpão de Cultura e Cidadania, no Jd. Lapenna. Hoje possui mais seis grupos em escolas públicas, UBS e ONG, beneficiando cerca de 150 famílias. A inserção de novas famílias nos dois núcleos originais e a pulverização das ações permitiram alcançar uma renovação de 60% do público beneficiado pelo Programa.

Criado em 2006, o Ação Família visa contribuir para a melhoria na qualidade de vida das famílias em situação de vulnerabilidade social, por meio da oferta de atividades de formação e informação sobre os temas: educação, saúde, habitabilidade e geração de trabalho e renda. Quinzenalmente, são promovidas reuniões socioeducativas e, uma vez por mês, ocorre a terapia comunitária, um espaço de acolhimento e de debate coletivo sobre questões da vida familiar. Há, ainda, as reuniões temáticas mensais, para aprofundamento de temas, e com participação de palestrantes convidados.

Parcerias para expansão

Para ampliar o alcance das ações do Programa em 2011, foi fundamental o estabelecimento de parcerias com iniciativas focadas nas famílias. Segundo Lúcia Saboya Amadeo, coordenadora do Ação Família, nesse processo, o Programa procurou identificar parceiros no território com objetivos em comum e dispostos a compartilhar responsabilidades e saberes. “Entramos com a metodologia aplicada por nossos profissionais, e o parceiro é responsável pelo espaço físico e pela mobilização dos participantes. A finalidade da atuação conjunta é potencializar o trabalho já desenvolvido pelo parceiro”, explica.

Após a escolha dos parceiros e a etapa de escuta para conhecer suas iniciativas, foram firmadas as parcerias com três escolas municipais, Pedro Moreira, Armando Righetti e CEU Três Pontes, além de uma estadual, a Capital Sérgio M. Pimenta; uma Unidade Básica de Saúde (UBS), a Nitro-Operária; e uma organização não governamental, a Procedu. Nesses locais, são realizadas, a cada quinzena, as reuniões socioeducativas. Apenas na Escola Sérgio M. Pimenta, o trabalho ainda não teve início, pois a parceria foi fechada na primeira quinzena de maio.

Receptividade das escolas

A coordenadora do Ação Família destaca que as escolas receberam muito positivamente a proposta do Programa, uma vez que têm essa demanda, mas não conseguem atendê-la. “Agora, estamos somando forças”, ressalta Lúcia. É justamente essa a visão de Maria Claudia Vieira Fernandes, diretora da Escola Armando Righetti. “Não conseguimos sozinhos resolver questões como drogadicção, abandono familiar e desemprego. O Ação Família responde a uma crença de que a escola precisa estar junto com outras instituições para cumprir sua missão, uma vez que essas questões têm seu impacto na vida escolar”, relatou Claudia.

Na escola Armando Righetti, participam das reuniões socieducativas membros do Conselho de Mães Voluntárias da escola, e também foram convidadas mães de famílias com elevada vulnerabilidade. “Os encontros podem fortalecer esses mães, para que cuidem bem de seus filhos, ampliem os vínculos familiares e a sua participação na escola”, comenta Cláudia.  

Diálogo e reflexão

As reuniões socioeducativas são abertas a todas as famílias da comunidade. Não há um critério preestabelecido para fazer parte de um grupo. Usualmente, é o parceiro quem faz a mobilização para convidar os integrantes. No caso das escolas, a participação maior é de famílias de alunos do próprio estabelecimento do ensino. No Procedu, o grupo é formado sobretudo por integrantes das atividades da ONG. Já o grupo da UBS Nitro-Operária conta com moradores inclusos no Programa Estratégia Saúde da Família da UBS.

Neste semestre, os grupos realizaram atividades de integração e de convivência e também foram convidados a pensar sobre seu Estado de origem, seu bairro e sua cidade. Nos próximos encontros, estarão em debate os cuidados com a saúde. Por exemplo: quais são os equipamentos públicos na região para se obter orientações médicas. Outros pontos a serem discutidos são: a importância da participação na vida escolar dos filhos e maneiras de fortalecer as relações familiares.

De acordo com Ana Carla da Silva, assistente de projeto do Ação Família, responsável pelas reuniões socioeducativas, os participantes demonstram bastante envolvimento nos encontros, trazendo informações e compartilhando vivências com o grupo. “Percebemos também pequenas mudanças de postura. Uma delas contou que passou a respeitar o espaço do filho. Outra disse que reorganizou o espaço da casa, para que os membros tivessem mais privacidade. Há ainda aquelas que repassam tudo o que aprenderam sobre o bairro para seus familiares”.

Lúcia ressalta que um dos desafios é manter a participação das famílias nas reuniões, frente às muitas dificuldades que elas enfrentam. “Trabalhamos para fortalecer sempre o vínculo com os participantes. Esperamos acompanhá-los durante dois anos e depois mesurar, junto com o parceiro, de que forma o Programa contribuiu para a melhoria de vida daquela família”.