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Mara Salles adiciona pitada de afeto e criatividade nas cozinhas de São Miguel


PRáTICA DE DESENVOLVIMENTO | PRáTICA DE DESENVOLVIMENTO | PRáTICA DE DESENVOLVIMENTO | PRáTICA DE DESENVOLVIMENTO 08/06/2011

Quem passou pela Oficina Escola de Culinária no dia 2 de junho teve os sentidos aguçados pelo Festim da Memória – um jantar especial, oferecido pelas vinte alunas do Projeto Descobrindo o Prazer de Cozinhar, sob a orientação da chef Mara Salles. Na mesa bem posta, uma profusão de legumes cozidos dava um colorido especial, enquanto as costelas de boi assadas espalhavam um aroma saboroso pelo espaço. Para acompanhar a carne, um arroz branquinho e soltinho ou uma mandioca amarelinha, regada com manteiga de garrafa. Os pratos foram carinhosamente preparados pelas participantes do curso, que os selecionaram das memórias de sua infância. Na hora da refeição, elas compartilharam os sabores da culinária familiar com outros convidados, como o grupo de mulheres que fizeram parte do projeto em 2010. 

  Assim foi o Festim da Memória, que marcou o fim de quatro encontros realizados em maio por Mara Salles, do restaurante     Tordesilhas, na região da Consolação, com um grupo de mulheres no Galpão de Cultura e Cidadania, no bairro de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo. Há quatro anos, a prestigiada chef reserva este mês para as aulas na Oficina Escola de Culinária, dentro do Galpão, ensinando receitas práticas, baratas e saborosas. “Minha proposta é adicionar criatividade - um temperinho -, em pratos do dia a dia, para deixar o cotidiano mais agradável”. Além disso, Mara busca resgatar a autoestima das mulheres e incentivar que a comida seja um elo para agregar a família. “A comida é um instrumento extraordinário de afeto. Quem não gosta de ser recebido com um prato quentinho e compartilhar histórias à mesa? A comida traz todo um movimento à casa, ela cria uma relação de vida”, conta Mara.

Segundo Lúcia Amadeo, coordenadora do Programa Ação Família São Miguel, dentro do qual se insere a Oficina Escola de Culinária, a proposta de Mara Salles relaciona-se à atuação da Fundação Tide Setubal no território. “Procuramos incentivar a troca de saberes e trabalhar para que os laços familiares se solidifiquem. Na Oficina, vínculos são criados, e as mulheres levam o que aprendem para casa. Sentem-se mais fortalecidas e mais acolhidas na família”, explica.
Lições em casa

As participantes desta edição já estão aplicando os novos conhecimentos. Rosângela Bernardo, 27 anos, costuma reunir a família na hora do jantar. Mãe de quatro crianças, ela descobriu uma maneira de incluir verdura no prato dos filhos. “Aprendi um bolinho de almeirão. Preparei a receita e disse que era bolinho de chuva verde. Eles adoraram”. Na casa de Neusa Aparecida Mariana, 63 anos, o que fez sucesso foi o frango ao molho de maracujá. “Perceberam que tinha algo diferente, mas não conseguiram adivinhar o quê. Ficaram surpresos quando contei que era maracujá. E ainda aproveitei a casca da fruta para preparar a sobremesa”.
Além de pratos novos, as participantes gostaram de aprender como aproveitar ingredientes da xepa da feira ou de sobras de refeições anteriores, para o preparo de comidas saudáveis e apetitosas. “Podemos aproveitar tudo. Aquele arroz e feijão da geladeira vira um mexidinho. Folhagens e cabecinhas de legumes dão excelentes caldos e sopas”, disse Maria Santos Machado, 58 anos, moradora do Jd. Lapenna.

Para a espanhola Delia Martinez, 31 anos, moradora de São Miguel há apenas seis meses, o curso foi uma oportunidade de conhecer mais sobre a culinária brasileira. “Lá, arroz e feijão não são uma refeição comum. Agora, já sei cozinhar os dois”. No Festim da Memória, ela ensinou às colegas a preparar uma tortilha, prato típico espanhol à base de batata, ovos, cebola e leite. “Quando era pequena, chegava da escola e minha mãe me esperava com uma tortilha. Quis dividir essa memória com as outras meninas, que foram muito legais comigo”.

Veja outros depoimentos


“Sempre gostei de culinária. O diferencial deste curso foi aprender a fazer um prato do dia a dia com um toque especial. Também gostei de conhecer a Mara Salles, que é super simples e nos ensina com carinho. A interação com as outras mulheres foi muito boa. Valeu a pena”.
Jandira Pereira Ribeiro Fernandes, 48 anos, moradora do Jd. São Vicente

“Descobri a Oficina Escola de Culinária por meio de uma reportagem no jornal. Minha mãe me incentivou a fazer os cursos. Estou amando. Com a Mara Salles, aprendi a não jogar os alimentos fora. Fizemos um arroz delicioso com sobras de abobrinha. Em casa, fiz as rabanadas, o arroz e o feijão, com as dicas especiais da chef. Ficou tudo mais gostoso. Minha família brincou comigo, dizendo que eu já estou pronta para casar”.
Bruna Barbosa, 15 anos, moradora de Guaianazes

“Faço os cursos da Oficina Escola de Culinária desde sua fundação em 2009. Para mim, é fonte de uma renda: hoje, vendo rosca, pães e bolos nos fins de semana. Já consigo tirar cerca de R$ 400 por mês. Com a Mara, descobri novas receitas que estão fazendo sucesso com os meus filhos”
Rosângela Bernardo, 27 anos, moradora do Jd. Helena

“A Mara ficou marcada para sempre em mim. Ela fala com a gente com carinho. Continuo fazendo o arroz, a vacatolada e a cocada que aprendi com ela no ano passado. E também continuo reunindo a família para comermos juntos. Além disso, faz três meses que estou trabalhando como ajudante de cozinha, onde sempre faço a cocada. Todos adoraram. Acho que os cursos aqui no Galpão me ajudaram bastante”
Roseni Barreto da Silva, participante da edição passada do Descobrindo o Prazer de Cozinhar e uma das convidadas para o Festim da Memória

FOTOS:Tadeu Mafra