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Mundo Jovem articula-se com agentes locais por educação e direitos juvenis


12/07/2012


Neste primeiro semestre, o Mundo Jovem, núcleo da Fundação Tide Setubal que atua para fortalecer projetos de vida de adolescentes e jovens, intensificou seu trabalho de articulação com agentes da zona leste e outras instituições que trabalham com este público, a fim de contribuir para a defesa dos direitos juvenis, fortalecer de trabalhos de qualidade e favorecer a articulação de rede de proteção social.

As principais iniciativas foram: participação no Fórum de Órgãos Públicos e Organizações da Sociedade Civil do Jd. Helena, na organização do seminário Educação como desenvolvimento local e na formação para professores da rede municipal da Diretoria Regional de Educação de São Miguel.

Viviane Hercowitz, coordenadora do Mundo Jovem, explica que essa articulação é um dos objetivos estratégicos do núcleo em 2012. Há mais de cinco anos, por meio de ações diretas com adolescentes, o projeto escuta as demandas juvenis, e compartilha saberes em processos de formação com professores e educadores sociais. Agora, passa a somar forças com outras entidades que defendem os direitos desta faixa etária, para levar essas questões aos órgãos públicos. “Unidos podemos fomentar políticas públicas em sintonia com a realidade e os anseios da juventude”.

Fórum e Seminário Educação como desenvolvimento local

Surgido em 2011, a partir do curso sobre Conselhos de Escolas, promovido por meio de parceria entre USP, Diretoria de Ensino Leste 2 e DRE São Miguel, o Fórum de Órgãos Públicos e Organizações da Sociedade civil do Jd. Helena reúne, em encontros mensais, profissionais de escolas públicas, conselho tutelar, conselho de saúde, clubes da cidade, além de representantes de ONGs e de órgãos públicos da saúde e assistência social. Cada setor leva dados sobre sua especialidade e, juntos, eles fortalecem a rede de proteção dos direitos das crianças e adolescentes.

Uma importante iniciativa do Fórum, no primeiro semestre de 2012, foi a realização, em 17 de maio, do seminário Educação como desenvolvimento local: desafio para a garantia de direitos de crianças e adolescente em território de alta vulnerabilidade. Estiveram presentes 250 pessoas da educação, saúde, assistência social, segurança e justiça e da sociedade civil. Na ocasião o pesquisador Maurício Érnica apresentou o estudo Educação em territórios de alta vulnerabilidade social na metrópole, uma iniciativa de Cenpec, Itaú Social e Fundação Tide Setubal.

Compuseram ainda a mesa de debates: Andréa Angelo S.Santos, representante da Diretoria Regional de Ensino de São Miguel, da Secretaria Municipal de Educação; João Carcan, presidente do Conselho Municipal dos Diretos da Criança e do Adolescente (CMDCA); Tatiane Moreira de Lima, juíza da Vara da Infância; Maria José Pinto Natale, gestora do CEU Três Pontes; Maria Aparecida Pavão, supervisora do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) São Miguel; Eva Maria P.França Santos e Teresa S. Andrade representante da coordenadora da Diretoria de Ensino Leste 2, da Secretaria Estadual de Educação;Pedro Cetrilho, do Conseg (Conselho de Segurança), Bruno Napolitano e Rafael Soares da Silvia Vieira, da Defensoria Pública de São Miguel, além de 4 conselheiros tutelares.

“Esse evento foi um pontapé inicial para reunir mais agentes locais e ter um mapeamento de questões que serão aprofundadas no Fórum”, disse Viviane Hercowitz, membro da comissão organizadora do seminário. O próximo encontro do Fórum ocorrerá em 3 de agosto, na EE Francisco Pereira S. Filho, das 9 às 13 horas, com a pauta “Da rede de proteção que temos à rede de proteção que queremos”.

Fortalecimento de escolas e docentes

Outro passo do Mundo Jovem foi contribuir para uma proposta de educação integral, por meio da formação Adolescência: temas transversais e práticas educativas. A iniciativa foi promovida no CEU Veredas para cerca de 160 professores da rede municipal da Diretoria Regional de Ensino de São Miguel. Em dois dias, 11 e 22 de junho, foram apresentadas propostas metodológicas para abordar drogas, sexualidade e família na escola. O encontro também sublinhou a importância de a escola trabalhar junto com a rede de proteção e defesa de diretos infanto-juvenis do seu território.

Para Carolina Lopes da Silva, professora da EMEF Antonio Carlos Andrada e Silva, da Vila Jacuí, as discussões dessa formação deram mais suporte para os docentes encararem questões ligadas a drogas e sexualidade na escola. “Aprendemos dinâmicas que podem ser usadas no ambiente escolar. Também conhecemos o trabalho do CAPs. Uma palavra-chave que ficou desta formação é parceria. A escola não está sozinha. Quando aparece um problema, deve procurar a rede de proteção. Espero que haja mais encontros como este para aprofundarmos o debate”.

Na opinião de Ana Lucia Marques dos Santos, professora da EMEF do CEU Três Pontes, do Jd. Romano, a formação foi muito esclarecedora porque abordou questões vivenciadas todos os dias, mas sobre as quais não costumam discutir. “Queremos agora multiplicar os novos conhecimentos com os demais colegas. Acredito ainda que podemos aplicar muitas das dinâmicas do curso em nossa unidade, com os alunos, inclusive já temos um grupo adolescente aqui.”

Suzana Veloso Rodrigues, professora da EMEF Caucásica, do Jd. Matarazzo, afirmou que, com a formação, pôde discutir temas essenciais presentes no dia a dia escolar. “Descobrimos o quanto é importante debater esses assuntos e nos instrumentalizar para lidar com eles da melhor forma possível em sala de aula. Esse foi também um momento para compartilhar ideias, práticas e soluções com outras unidades de ensino. Tudo isso nos despertou o desejo de criar um projeto sobre drogas na nossa escola no próximo semestre.”

Diálogo com os jovens

O terceiro destaque do Mundo Jovem no semestre foi a assessoria a um grupo de 16 a 19 anos, participantes da formação do Programa Jovens Urbanos, do Cenpec, oferecida na ONG Ibradesc, em São Miguel Paulista. Os jovens receberam auxílio para colocar em prática um projeto, idealizado por eles, de intervenção na comunidade onde vivem. “Incentivamos o protagonismo e a participação deles no desenvolvimento local”, ressalta Viviane.

O resultado foi a realização de gincanas sobre drogas em duas escolas públicas, a Prof. Pedro Moreira Matos e a Carlos Gomes. Com atividades dinâmicas, os jovens incentivaram o diálogo e a reflexão de cerca de 300 estudantes da 8ª série do ensino fundamental. O Mundo Jovem conduziu encontros informativos sobre drogas com os jovens do Ibradesc e discussões sobre a melhor metodologia para atingirem os adolescentes nas duas escolas. Houve também uma visita ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de São Miguel.

Soyara Fernandes dos Santos, educanda do Programa Jovens Urbanos que fez parte do grupo organizador da gincana sobre drogas, vibrou com o trabalho. “Foi muito legal voltar à escola onde estudei por quatro anos e falar sobre drogas, atingindo vários alunos. Todos participaram bastante da gincana. Nunca imaginei que teria tanta desenvoltura para abordar esse tema. Depois da formação do Jovens Urbanos e do projeto nas escolas, tenho mais vontade de ajudar e melhorar a qualidade de vida no meu bairro.”

Segundo Wagner Antonio Santos, coordenador do Programa Jovens Urbanos, o Mundo Jovem foi escolhido para essa assessoria devido ao seu conhecimento no trabalho com juventude. “Além disso, a participação da Fundação é de fundamental importância ao programa, pois ela é uma referência em São Miguel, atuando como uma das principais mediadoras na relação comunidade e sociedade civil organizada e ampliando nossa capacidade de articulação institucional no território”, enfatizou.