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Jaílson de Souza e Silva, criador do Observatório de Favelas, participou do encontro da Rede de Proteção Social


INFLUêNCIA EM POLíTICAS PúBLICAS 04/07/2016

No dia 24 de maio, 58 representantes de 42 instituições reuniram-se em mais um encontro da Rede de Proteção Social de São Miguel Paulista e receberam a visita do geógrafo Jaílson de Souza e Silva para uma troca de experiências, baseadas no trabalho que ele desenvolve na favela da Maré, no Rio de Janeiro.

Formada há dois anos, a Rede de Proteção Social de São Miguel Paulista é fruto de uma parceria entre a Fundação Tide Setubal e a Diretoria Regional de Educação de São Miguel com o objetivo de fortalecer o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente no território, por meio de ações articuladas das instituições e serviços sociais de São Miguel Paulista.

O encontro começou com a apresentação de serviços sociais, atividades e projetos das instituições que compõem a Rede no território. Após essa rodada inicial, Jaílson de Souza e Silva descreveu um pouco o lugar onde viveu boa parte de sua vida e no qual desenvolve projetos sociais. “A favela da Maré é composta por 19 comunidades e abriga mais de 140 mil moradores. No ano 2000, apenas 0,5% dessa população estava na universidade”, disse. Segundo o geógrafo, esse é apenas um dos dados que mostra a discrepância entre as comunidades periféricas e as outras regiões das cidades.

Além de melhorar os índices, o trabalho realizado por Silva busca destacar as potências e as belezas de cada território. Foi assim que nasceu a organização da sociedade civil Observatório de Favelas, que atua em cinco frentes: comunicação, cultura, educação, direitos humanos e políticas urbanas. “Nós visamos à formulação conceitual, ao desenvolvimento de propostas e metodologias de intervenção na comunidade alinhadas a nossa realidade”, afirmou.

Jaílson ainda analisou o fato de diferentes organizações da sociedade civil estarem integradas a distintas organizações do Estado dentro da Rede de Proteção Social de São Miguel Paulista e acredita que isso é uma grande conquista em termos de agenda pública, no entanto, destacou: “Falta a presença dos jovens; estamos falando e pensando em serviços dos quais eles são o público, mas não estamos considerando o desejo e a opinião deles. Além disso, também sinto falta da representação da cultura e das empresas privadas, que são partes fundamentais em um território.”

Lucia Amadeo, coordenadora do Programa Ação Família, da Fundação Tide Setubal, e integrante do Grupo de Trabalho da Rede de Proteção Social, contou um pouco sobre a avaliação dos participantes sobre esse momento de troca de experiência com o criador do Observatório de Favelas. “O ponto mais destacado pela maioria foi a reflexão sobre as potencialidades da periferia, sobre ‘comunidade carente’ e comunidade com diversas oportunidades que deixam de ser reconhecidas.”

“Acredito que o encontro de hoje vai deixar muitas perguntas para nós buscarmos responder nos próximos encontros, questões que problematizam e nos fazem pensar quais as metas que podemos estabelecer, os indicadores que podemos gerar e os compromissos que cada participante da Rede pode assumir”, encerrou o Inspetor Junior, representante da Guarda Civil Metropolitana, um dos responsáveis pela segurança no Distrito de São Miguel Paulista, Vila Jacuí e Jardim Helena e membro da Rede de Proteção Social de São Miguel Paulista.