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Ancestralidade e futuro se entrelaçam no curta-metragem ‘A Saudade que Habita em Meu Armário’

Qual é a saudade que habita no seu armário? Quem são as pessoas cujas lembranças de momentos felizes aliviam o peso do dia a dia? E como você lida com as incertezas sobre o futuro? Pois bem, essas e outras dúvidas norteiam o curta-metragem A Saudade que Habita em Meu Armário.

 

Produzida pela coletiva Trivial Filmes, do Mato Grosso, a obra faz parte da quinta temporada da websérie Ancestrais do Futuro. De modo geral, a trama mostra os dias das jovens Alicia e João Felipe, que passam por fins de ciclos em suas vidas. Enquanto arrumam os seus guarda-roupas pela última vez, precisam aprender a lidar com a saudade, a falta, a fé e a morte.

 

Em meio a isso tudo, o luto, a emoção e a dicotomia entre a empolgação e a insegurança com o que o futuro poderá apresentar são aspectos recorrentes na trama.

Sobre subjetividade e fé

Daniel Carvalho, diretor de A Saudade que Habita em Meu Armário, explica a conexão da fé com a produção do curta-metragem e a sua presença no seu dia a dia.

 

Nesse sentido, a dissidência – seja pela orientação sexual ou identidade de gênero – foi um aspecto estruturante para o grupo desenvolver a obra. De acordo com ele, a conexão com a fé não ocorre a partir da religião, mas “talvez a partir da memória e de vivências da família. [Isso vem também] de coisas que trazemos conosco de muitos lugares que atravessam a religião e depois nos atravessam. Mas não necessariamente absorvemos como uma fé espiritual ou religiosa.”

 

E esta abordagem está presente em falas presentes em A Saudade que Habita em Meu Armário, como a que você lerá a seguir:

 

No final, nascemos os mesmos e nos vamos da mesma maneira. Quem tem de te aceitar, já aceitou há muito tempo.

 

 

Sobre a temporada

A dinâmica entre juventudes e fé constitui o fio condutor da quinta temporada da websérie Ancestrais do Futuro. Os episódios estão disponíveis no Enfrente, o canal da Fundação Tide Setubal no YouTube.

 

Nesse sentido, o modo como a fé nos coloca em movimento e nos ajuda a passar pelas encruzilhadas do cotidiano é demonstrado nos cinco episódios que compõem essa temporada. E essa dinâmica torna-se ainda mais evidente na relação que ela tem com as trajetórias das juventudes das periferias de cantos diversos do Brasil.

 

Esta temporada conta também com outros quatro curtas-metragens produzidos pelos seguintes coletivos:

 

  • Orí Semente (Ficcionalizinho-PE);
  • Fé que Move Rios (Apoena-PA);
  • Sem Tempo, Irmão (Várias Fita Filmes-SP);
  • Boca de Tudo (Ofà Dodún-PR).

 

 

Texto: Amauri Eugênio Jr.