Comunicação

Comunicação de causas

O enfrentamento das desigualdades contempla a união de esforços em áreas diversas para o desenvolvimento de estratégias efetivas. Ao considerar-se a centralidade que a comunicação tem em sentido amplo nesse contexto, a comunicação de causas torna-se estratégica quando se fala na criação de pontes.

De acordo com definição disponível na publicação O Fluxo das Causas: Os desafios da comunicação de causas depois da revolução digital, desenvolvida por Instituto Arapyaú e as agências Cause e Shoot the Shit, trata-se de:

Colocar um tema na agenda da sociedade, mobilizar os convertidos, conquistar os indiferentes e influenciar os tomadores de decisão com o objetivo de mudar a realidade social, cultural, econômica e ambiental por meio da sensibilização do público e de mudanças nas políticas públicas.

Nesse sentido, ao considerar-se o papel de causas progressistas nesse contexto, é necessário refletir sobre o que – e como – se comunica para esse processo ser efetivo. Comunicação de Causas: Reflexões e provocações para novas narrativas, publicação da Fundação Tide Setubal com apoio de Instituto Alana e Rede Narrativas, é didática. Ao apresentar reflexões sobre a importância de se desenvolver estratégias para a promoção de diálogos com grupos diversos, o material apresenta, então, ensinamentos nesse contexto. A saber,

A partir de um conhecimento profundo sobre os valores caros aos grupos com os quais se pretende dialogar, é possível abordar as agendas e causas de modo mais potente e efetivo. Para tanto, é preciso se afastar das ideias pré-concebidas atribuídas a eles e reconhecer sua dor, “vestir seu sapato” e entender sua identidade – ao invés de negá-la ou agredi-la.

Projetos de comunicação de causas

Com papel de destaque no trabalho desenvolvido pela Fundação Tide Setubal, a comunicação de causas está presente em diversos projetos desenvolvidos com esse propósito. Isso vale para a elaboração da linha editorial de veiculação e disseminação de projetos das áreas e dos programas de influência. Essa lógica vale também para iniciativas idealizadas pela própria área de Comunicação.

Um dos exemplos é o podcast Essa Geração. Com oito temporadas, o projeto conta com realização atual por jovens do curso de Multimídia do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Em todas as temporadas até aqui produzidas, todos os episódios apresentam, então, reflexões sobre temas diversos presentes no cotidiano das juventudes negras e periféricas.

Outro projeto de destaque nesse contexto abrange a websérie Ancestrais do Futuro. Com cinco temporadas – sendo a mais recente lançada em outubro de 2025 -, a produção recorre à comunicação de causas para apresentar a mobilização e as reflexões das juventudes das periferias de diversos locais do Brasil. Vale destacar que a websérie, cujo desenvolvimento abrange um edital para apoio a coletivos audiovisuais das periferias, coloca holofotes nas narrativas desses mesmos grupos.

Finalmente, pode-se destacar também a websérie Caminhos pela Equidade Racial. Com quatro temporadas, a produção, que é desenvolvida em parceria com o Programa Lideranças Negras e Oportunidades de Acesso da Fundação, mergulha em especificidades no mercado de trabalho. Assim sendo, os tópicos passam por sensibilizar o campo doinvestimento social privado (ISP) a apoiar o desenvolvimento de lideranças negras para alcançarem espaços decisórios.

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