

Entre os dias 15 e 19 de junho, uma comitiva formada por servidoras e servidores da Prefeitura de São Paulo e representantes da Fundação Tide Setubal participou de um intercâmbio em Barcelona.
A experiência na Catalunha foi o prêmio para a equipe vencedora do III Desafio Gasto Público Tem Endereço, iniciativa que incentiva a transparência e a regionalização do orçamento público municipal. As demais equipes, motivadas pela oportunidade, pleitearam e conseguiram, junto à prefeitura, a chance de participar do intercâmbio.
A programação incluiu visitas a órgãos como o Instituto Municipal de Fazenda (IMH), a Direção de Serviços de Empresas, a Agência Local de Energia e o Instituto Municipal de Educação.
Além disso, a comitiva participou de reuniões sobre o Plano Clima, ação do ajuntamento da cidade (prefeitura) para enfrentar as mudanças climáticas. O grupo também conheceu o Hospital do Mar e participou de visitas culturais à sede do Ajuntamento, ao Museu Picasso e à Casa da Arquitetura.

Reunião de integrantes da comitiva que participou do intercâmbio em Barcelona com representantes do poder público local (Foto: @descubrabarcelona)
O intercâmbio em Barcelona chamou a atenção das pessoas participantes pela forma como a cidade articula políticas públicas, com foco no espaço público e na qualidade de vida dos cidadãos. Maria Alice Setubal, presidente do conselho da Fundação, destaca o que mais a impressionou antes mesmo do início da agenda oficial.
“Até antes de começar a programação, é incrível ver uma cidade em que você sente a presença de um espaço público inclusivo. Caminhando a gente vê o cuidado com as calçadas, a presença das bicicletas como meio de transporte integrado e a arborização”, comenta.
Maria Alice observa que essa percepção inicial se confirmou ao longo das visitas. “Me impressiona que todas as falas começam com qual é a visão, qual é a noção e quais são os principais valores. Tem um foco centrado na cidadania, no compromisso com o público, na convivência e na cocriação.”

Grupo participante da viagem durante uma das visitas guiadas (Foto: @descubrabarcelona)
Thalita Tiengo Hamanaka, diretora do Departamento de Planejamento Orçamentário da Prefeitura de São Paulo, compartilha dessa avaliação. “Eu acho muito importante a gente ver a parte do planejamento deles, como a cidade é pensada, a ocupação dos espaços urbanos e como eles estão lidando com as situações que enfrentam.”
Já Samuel Ralize de Godoy, secretário-adjunto municipal de Educação de São Paulo, observa o seguinte ponto. “Barcelona chama a atenção pelo seu nível de planejamento integrado do espaço urbano. Tudo aqui parece ser pensado de maneira integrada. Você pensa o ambiente, a educação, o clima e a mobilidade.”
Um dos temas do intercâmbio em Barcelona foi o tratamento das mudanças climáticas. Em Barcelona, o assunto é coordenado pelo Plano Clima, estratégia que conecta diferentes áreas da administração e orienta investimentos públicos.
Marília Câmara de Assis, articuladora de Políticas Públicas e Práticas Intersetoriais da Fundação Tide Setubal, que organizou e acompanhou as atividades, vê no modelo de Barcelona uma referência para o trabalho que já vem sendo feito em São Paulo. “A gente observa na fala deles essa intersetorialidade aparecendo na forma de pensar e implementar as políticas.”
Os servidores e servidoras paulistanas conheceram o programa de climatização de escolas, que contemplou 84 centros educativos públicos de Barcelona. O plano é adaptar 170 instituições de ensino da cidade até 2030, com orçamento de € 100 milhões (cotação aproximada de R$ 586,9 milhões em 23 de junho), financiado em parte pela taxa turística. As intervenções incluem aerotermia, ventilação natural, uso de persianas, áreas de sombra e melhorias no isolamento térmico.
A reportagem acompanhou a reunião sobre o Plano Clima. Durante o encontro, as e os representantes de São Paulo trocaram experiências sobre temas como orçamento climático, refúgios para proteção contra o calor extremo e políticas de energia renovável. Cintia Castells, diretora de energia e qualidade ambiental do Ajuntamento de Barcelona, explicou a lógica por trás das intervenções nos bairros mais vulneráveis.
“A gente escolhe os espaços mais vulneráveis para que o espaço público tenha maior excelência, porque as pessoas vão utilizá-lo mais. Além disso, fazemos um investimento público nos edifícios privados para que se adaptem às novas necessidades. É uma política de justiça climática”, descreve.

Diário de bordo relativo ao III Desafio Gasto Público Tem Endereço e a viagem a Barcelona (Foto: @descubrabarcelona)
O intercâmbio em Barcelona é uma das ações do Desafio Gasto Público Tem Endereço, iniciativa da Fundação Tide Setubal em parceria com a Secretaria de Planejamento e Eficiência da Prefeitura de São Paulo e o Tribunal de Contas do Município. O objetivo é estimular a produção de dados confiáveis sobre a execução orçamentária regionalizada.
Quando o Desafio foi lançado, em 2021, apenas 16% do orçamento municipal era regionalizado. Em 2025, esse percentual alcançou 74%. Participaram das três edições 85 profissionais de diferentes secretarias.
“O Desafio é uma iniciativa muito importante porque incentiva a inovação, incentiva os servidores a se articularem na própria secretaria, a área de planejamento e a de orçamento conversarem, identificarem melhorias que podem ser realizadas no processo de regionalização.”, explica Rodrigo Metzner, analista de políticas públicas da Secretaria Municipal da Saúde e primeiro lugar nesta edição.
Isabella Cuccin, consultora da Fundação Tide Setubal que participou dos encontros, enfatiza o propósito do intercâmbio em Barcelona. “A gente está aqui para conhecer outro contexto, outro país e como eles fazem. Servidoras e servidores são pessoas muito estratégicas e estão na tomada de decisão. É muito inspirador para elas e eles poderem ter contato com essas políticas e metodologias.”
A Prefeitura de São Paulo já desenvolve ações inspiradas nessa abordagem e lançou, em 2025, o seu primeiro orçamento climático. Além disso, diversas secretarias têm avançado na regionalização de suas despesas. A Secretaria Municipal de Educação, por exemplo, alcançou índice de regionalização de 73% do orçamento. A de Mobilidade Urbana e Transporte saiu de menos de 4% para 82% de gastos regionalizados.
“Esperamos que eles e elas se inspirem com o repertório técnico que estão vivenciando aqui. Mais do que replicar um modelo, a ideia é incrementar a forma de avaliar a regionalização do orçamento e melhorar a tomada de decisão para destinar melhor os recursos na cidade”, resume Marília.
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