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Curta-metragem ‘Sem Tempo, Irmão’ mostra a permanência da fé em meio à correria cotidiana

Sem perceber, todas, todos e todes temos postura que reproduz a lógica “sem tempo, irmão” no dia a dia. Duvida? Vamos lá: isso vem à tona em situações como quando corremos para pegar o ônibus no horário, precisamos entregar uma tarefa no trabalho cujo prazo é curto ou quando precisamos entregar a declaração do Imposto de Renda nas últimas semanas – para não ficarmos na última hora. Até mesmo quando vamos nos divertir a postura “sem tempo, irmão” vem à tona.

 

Em meio a isso tudo, onde fica a fé no nosso cotidiano? Essa é a reflexão por trás do curta-metragem Sem Tempo, Irmão, da coletiva Várias Fita Filmes, de São Paulo. A obra, que faz parte da quinta temporada da websérie Ancestrais do Futuro, recorre ao mix entre ficção e o documental para conduzir a audiência em uma jornada igualmente frenética e reconfortante.

 

Na trama, Sérgio, jovem de 19 anos do Grajaú, distrito da zona sul de São Paulo, divide seus dias entre trabalho, faculdade e ônibus lotados. Certo dia, ao correr até o ponto de ônibus, mas perder o coletivo, por segundos, o jovem conhece uma pessoa excêntrica.

Você está com ou sem tempo, irmão e irmã?

Um ponto central para a narrativa de Sem Tempo, Irmão vem à tona a partir de dinâmica que remete, nas entrelinhas, ao filme clássico Feitiço do Tempo (1993), em que o jornalista Phil (Bill Murray) vai até uma cidade no interior dos EUA para cobrir o Dia da Marmota e acaba vivendo o mesmo dia ininterruptamente.

 

Sérgio está sempre com um caleidoscópio em mãos – o motivo vem à tona no decorrer da trama. Através desse instrumento, que também conduz o público para diálogos sobre a fé por meio da religiosidade evangélica e de matriz africana, o jovem parece viver continuamente a mesma situação – no caso, perder o ônibus.

 

E, a cada encontro, ele encontra uma mulher cuja representação religiosa muda sucessivamente conforme ele olha para o mesmo caleidoscópio.

 

Thiago Oliveira, diretor do curta-metragem, considera que a produção do projeto “foi uma cura para podermos acreditar no que queremos. A mensagem do filme acabou sendo um pouco disso também: existe, sim, a fé religiosa. Ela é importante para quem quer tê-la como uma coisa importante. Mas a fé no ‘corre’ e nos processos que fazemos é [o significado de] fé para nós”, comenta.

 

Para além disso, o diretor considera que a fé está presente também no “fazer cinema, mostrar a potência que as periferias têm, de estar tanto na frente das telas quanto atrás. Acho que isso me mudou.”

 

Assim como o processo de Sem Tempo, Irmão fez a equipe do Várias Fita Filmes ponderar sobre o papel da fé em suas vidas, será que Sérgio entrou, enfim, em uma jornada de reconexão espiritual em meio ao caos urbano? Assista ao filme para descobrir a resposta.

 

Sobre a temporada

A dinâmica entre juventudes e fé constitui o fio condutor da quinta temporada da websérie Ancestrais do Futuro. Os episódios estão disponíveis no Enfrente, o canal da Fundação Tide Setubal no YouTube.

 

Nesse sentido, o modo como a fé nos coloca em movimento e nos ajuda a passar pelas encruzilhadas do cotidiano é demonstrado nos cinco episódios que compõem essa temporada. E essa dinâmica torna-se ainda mais evidente na relação que ela tem com as trajetórias das juventudes das periferias de cantos diversos do Brasil.

 

Esta temporada conta também com outros quatro curtas-metragens produzidos pelos seguintes coletivos:

 

  • Orí Semente (Ficcionalizinho-PE);
  • Fé que Move Rios (Apoena-PA);
  • A Saudade que Habita em Meu Armário (Trivial Filmes-MT);
  • Boca de Tudo (Ofà Dodún-PR).

 

 

Texto: Amauri Eugênio Jr.

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