Feminismo negro
O feminismo negro abrange, de modo geral, reflexões teóricas e práticas sobre o modo como mulheres negras sofrem os impactos das desigualdades em âmbitos racial e de gênero.
Segundo a Plataforma Ancestralidades, iniciativa da Fundação Tide Setubal e do Itaú Cultural que objetiva valorizar os saberes ancestrais afro-brasileiros, o feminismo negro “coloca no centro do conhecimento experiências sociais marginalizadas e invisibilizadas pelo sistema capitalista, patriarcal e colonial do mundos moderno e contemporâneo.” Nesse sentido,
O feminismo negro é associado aos diversos movimentos de mulheres negras e ao pensamento produzido dentro e fora da academia que consideram experiências, lugares socioeconômicos e produções intelectuais e culturais de mulheres afrodescendentes em diferentes espaços da sociedade.
Ao considerar-se como o arcabouço teórico influenciou – e continua a influenciar – as ações do movimento feminino negro, é necessário destacar algumas entre as diversas referências nesse contexto.
Desse modo, os legados da filósofa Lélia Gonzalez (1935-1994) e da historiadora Beatriz Nascimento (1942-1995) são fundamentais para compreender o feminismo negro no Brasil. Essa mesma lógica vale para os ensinamentos da filósofa Sueli Carneiro, cofundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra e conselheira da Fundação Tide Setubal. Em entrevista concedida em 2018, Sueli Carneiro destacou que:
O feminismo negro denuncia a desigualdade existente entre mulheres negras e brancas, e os privilégios que a brancura oferece. Mesmo que as mulheres brancas estejam submetidas ao domínio patriarcal, ainda assim, elas têm vantagens comparativas em relação às negras, por conta do benefício arbitrário que a brancura tem como parâmetro estético privilegiado do ser mulher.
Feminismo negro e o enfrentamento das desigualdadess
A premissa do feminismo negro conecta-se, de modo estrutural, com o trabalho que a Fundação Tide Setubal desenvolve no enfrentamento das desigualdades socioespaciais.
Assim sendo, ao considerar-se a interseção entre a promoção da equidade em âmbitos racial e de gênero, somente é possível combatê-las ao considerar-se que gênero e raça são, ao lado do conceito de território, aspectos estruturais quando se fala nos inegáveis índices de desigualdades no Brasil.
A partir disso, considera-se, enfim, que as reflexões teóricas e ações referentes ao feminismo negro têm papel transversal no trabalho desenvolvido pela Fundação Tide Setubal. Ou seja, os projetos que as áreas e programas de influência exercem têm tais aspectos como atributos fundamentais.
Confira no nosso site os trabalhos das áreas de Prática de Desenvolvimento Local, Fomento a Agentes e Causas, Comunicação e Desenvolvimento Territorial. Veja também o modo como atuam os nossos programas de influência.
