Projeto Asas + Espaço Jovem une formação e preparação para o mercado
Com foco no desenvolvimento profissional e pessoal, o Projeto Asas + Espaço Jovem tem como público-alvo adolescentes com idades entre 14 e 17 anos do Jardim Lapenna, na zona leste de São Paulo

Com o objetivo de integrar a preparação para o ingresso no mercado de trabalho e fomentar o autoconhecimento, o Projeto Asas + Espaço Jovem nasceu no Jardim Lapenna, bairro da zona leste de São Paulo.
A iniciativa da Fundação Tide Setubal selecionou 30 adolescentes com idades entre 14 a 17 anos para participar de encontros semanais no Galpão ZL, núcleo de Prática de Desenvolvimento Local da Fundação, durante nove meses, com bolsa de R$ 350 mensais.
O projeto combina a metodologia do projeto Mundo Jovem, focado em autoconhecimento e competências transferíveis, com o eixo de oportunidades da Estratégia Asas. Este eixo da Plataforma Alas, iniciativa da Fundação para o desenvolvimento de lideranças negras para alcançar espaços de poder e de decisão em momentos diferentes da vida, trata de acesso ao mercado de trabalho e ao ensino superior.
Foco em equidade e em ações afirmativas
A criação do Projeto Asas + Espaço Jovem partiu de uma percepção da equipe de Prática de Desenvolvimento Local atuante no Galpão ZL. Nos últimos anos, o território contava com o Projeto Asas, cuja atuação se concentrava em aspectos práticos de inserção profissional. Todavia, faltava um espaço para discutir questões subjetivas, como identidade, sexualidade, relações familiares e projetos de vida.
Viviane Soranso, coordenadora do Programa Lideranças Negras e Oportunidades de Acesso, conta que a ideia surgiu do desejo de levar à “prática local” as experiências vividas pelo programa em outros territórios.
O público-alvo foi definido com critérios de ação afirmativa. Das 30 vagas disponíveis, 70% seriam para jovens que se autodeclarassem pardas ou pretas. O resultado superou a meta: com 91 inscrições, 83,3% das pessoas selecionadas são negras. No processo de seleção, as pessoas candidatas passaram por dinâmicas de grupo com dilemas sobre racismo, feminicídio e mercado de trabalho.
Viviane explica que o projeto parte de uma visão específica sobre liderança. “A gente vem discutindo sobre a importância de ampliar a ideia de liderança. Trata-se de liderança no sentido de conseguir fazer as próprias escolhas e construir um projeto de vida pensando-se como cidadã.” A aposta é que o fortalecimento subjetivo permite à e ao jovem atuar no coletivo sem anular seus desejos: “O coletivo andando com o indivíduo”, completa.
Metodologia do Projeto Asas + Espaço Jovem: aprender por meio de tarefas
Os encontros do Projeto Asas + Espaço Jovem acontecem duas vezes por semana no Galpão ZL. Um dos diferenciais do projeto é a bolsa de R$ 350 mensais que cada jovem participante recebe.
“Na maioria dos casos, as e os jovens que vieram atraídos pela bolsa. Mas, durante o processo seletivo, a equipe explicou a proposta e perguntou se as e os candidatos ainda tinham interesse. Nenhum desistiu”, relata Viviane Soranso.
A metodologia usada nos encontros é a de grupos operativos, no qual as pessoas participantes aprendem por meio de tarefas. Cada encontro tem um tema e uma atividade central. A coordenação observa, então, como as e os jovens entram na tarefa e se comunicam, quem assume a fala e como lidam com conflitos. O objetivo é construir vínculos, porque o projeto acredita que é por meio deles que ocorrem mudanças e transformações.
Já o conteúdo programático inclui tópicos que passam por temas como identidade e autoconhecimento, corpo e saúde, sexualidade responsável, família e relações interpessoais, profissão e projetos de vida, cidadania ativa e liderança, além de ampliação do repertório cultural. Desse modo, o eixo de mercado de trabalho e acesso ao ensino superior perpassa esses temas.
Viviane descreve que, na primeira etapa, o trabalho tem dado enfoque às chamadas competências transferíveis. Esses atributos incluem falar em público, fazer apresentações, construir argumentos e desenvolver pensamento crítico. Essas habilidades são depois aplicadas ao eixo de mercado de trabalho.

Grupo realiza atividade em uma das reuniões do Projeto Asas + Espaço Jovem
Matriz de acompanhamento com três momentos de coleta até 2027
A matriz de acompanhamento do Projeto Asas + Espaço Jovem prevê três momentos de coleta de dados. Esses períodos compreendem a abril de 2026, quando ocorreu o início da turma; novembro de 2026, ao final dos nove meses da iniciativa; e novembro de 2027, um ano após o término.
Os indicadores incluem desenvolvimento de competências transferíveis, desejo de cursar ensino superior ou formação técnica, permanência escolar e participação em atividades no território. “A gente quer ter essas habilidades mais fortalecidas”, resume Viviane.
Além do grupo de adolescentes, o projeto tem uma segunda frente. Nove jovens de 18 a 26 anos, que se organizam na Casa de Cria (antigo GT de Juventude do Lapenna), participarão de formações mensais sobre temas como liderança, juventude e democracia, saúde mental, mercado de trabalho e direito à cidade. Eles não atuam diretamente com os adolescentes nesta edição, mas o intercâmbio entre os grupos alimenta a reflexão sobre quem são os jovens do território e como alcançá-los.
Por fim, o Projeto Asas + Espaço Jovem também prevê saídas de campo para espaços além do Jardim Lapenna. A ideia é conhecer universidades públicas e particulares, como a Universidade de São Paulo (USP) e o Senac, e ocupar espaços de lazer e cultura.
Viviane define como objetivo levar as e os jovens para conhecer “o que tem no território e o que está fora, para que eles possam saber o que existe.” A circulação pela cidade é, enfim, parte do processo de ampliar horizontes e construir as possibilidades de escolhas.
