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Branca Moreira Alves: “Fui incorporando a questão do feminino e da mulher pela questão das desigualdades”

“Honrar é conhecer a história, as lutas, os pontos de vista, os inimigos, quem não quis e por que não quis, assim como a religião, a ideologia e a mulher para ficar em casa e não sei o quê. Não só a história das mulheres: temos de conhecer a história.”

 

Durante sua participação no podcast Escute as Mais Velhas, a intelectual e militante Branca Moreira Alves falou sobre diversos aspectos sobre o pioneirismo na luta por equidade de gênero no Brasil. Isso passou, então, pela importância de se conhecer a história para compreender quais processos conduziram à vigente estrutura social e caminhos para subvertê-los.

 

A sua perspectiva sobre a importância de se conhecer a história tem ligação intrínseca com a sua própria trajetória e os caminhos que a levaram a tornar-se ativista em prol da equidade de gênero.

 

Desse modo, um ponto emblemático nesse contexto foi o período em que esteve na Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA). Se, no primeiro momento, ela estava em outro país para acompanhar a trajetória acadêmica do marido à época e cuidar da criação das filhas, em paralelo, ao considerar-se a graduação que iniciara anos antes em História, o seu despertar político veio à tona.

 

“O [à época] meu marido foi fazer mestrado em Berkeley e eu estava há dois anos na faculdade. Consegui ser transferida e aceita lá”, comentou. Nesse sentido, o período em que esteve lá proporcionou a ela ter contato com debates e articulação para denunciar a repressão resultante da Ditadura Civil-Militar (1964-1985).

 

“Eu já fazia parte dessa corrente e foi onde conheci [o advogado Antônio] Modesto da Silveira, futuro companheiro, que denunciava torturas. Então, eu já estava a mil: havia o feminismo, os Black Panthers e Students for a Democratic Society. Eu só estudava o que era proibido aqui”, comenta.

 

Da valorização de quem veio antes à construção do próprio legado

Após o despertar político, Branca Moreira Alves fez também graduação em Direito e mestrado em Ciência Política. Tais marcos permitiram a ela intensificar, então, a luta pela defesa dos direitos humanos a partir da agenda feminista.

 

Contudo, ao passo que ela estava infeliz com o seu então trabalho, como promotora de Justiça, a intensificação da luta feminista e a articulação com demais ativistas a levaram a inaugurar e dirigir, enfim, o escritório para o Brasil e Cone Sul, do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).

 

“Fiquei como funcionária da ONU [Organização das Nações Unidas], com contrato renovável a cada dois anos, e me aposentei com 62 anos”, comentou.

Para dar play e maratonar

Com apresentação de Maria Alice Setubal, presidente do Conselho Curador da Fundação Tide Setubal, e Sueli Carneiro, filósofa e ativista, coordenadora executiva do Geledés – Instituto da Mulher Negra, o programa coloca em pauta história e celebrar a trajetória de mulheres extraordinárias.

 

Ouça a íntegra do episódio com Branca Moreira Alves no feed do podcast Escute as Mais Velhas. Por fim, maratone também os outros episódios que compõem a primeira temporada e confira a segunda temporada do programa.

 

 

Texto: Amauri Eugênio Jr.

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