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Ancestralidade, memória, conhecimento e aquilombamento, por Helena Theodoro

“Aprendi algo muito importante com a minha mãe: saber que existem muitos caminhos pela vida. Isso porque se um não está muito bom, é possível mudar e buscar caminhos melhores.”

 

Esse ensinamento, pode-se dizer com convicção, norteou a trajetória e os valores pelos quais a filósofa e ativista Helena Theodoro se pautou para percorrer o seu percurso acadêmico e existencial. Tal abordagem, vale dizer, norteou a sua participação na primeira temporada do podcast Escute as Mais Velhas.

 

Nesse sentido, a filósofa e ativista contou sobre o fato de crescer em um contexto no qual os pais estiveram, entre os anos 1940 e 1950, em meio à efervescência da atuação do movimento negro à época, com destaque para atuação do intelectual e político Abdias do Nascimento, por meio do Teatro Experimental do Negro (TEN).

 

“Fiquei com dois militantes com nível universitário de classe média negra em uma família de gente de escola de samba e de sindicato com proposta de participação efetiva na construção do país”, comentou. Ainda que isso a tivesse feito viver na dicotomia de frequentar colégios de referência, onde costumava ser a única criança negra, o arcabouço familiar a ajudou a lidar com esses pontos.

 

“Tive um privilégio muito grande. Eles sempre me deixaram ter a noção de que se morávamos em apartamento próprio e eu comia bem três vezes ao dia, a nossa obrigação era lutar para que isso fosse direito de todos.”

 

Equidade racial, saberes afro-brasileiros e a trajetória de Helena Theodoro na academia

A trajetória acadêmica de Helena Theodoro no meio acadêmico pode, de modo inequívoco, ser vista como um marco pioneiro na luta por espaços para se estudar os saberes ancestrais afro-brasileiros. Nesse sentido, é fundamental destacar que ela se tornou a primeira mulher negra no Brasil a tornar-se doutora em Filosofia.

 

Alguns marcos nesse sentido, ao levar-se em consideração o aprofundamento epistemológico nesse cenário pelo qual passou durante o doutorado, a fez estar em contato constante com a SECNEB (Sociedade de estudo da Cultura Negra no Brasil), organização da qual foi membro.

 

E seus estudos, que culminaram no desenvolvimento da tese O negro no Espelho, abordaram tópicos como a ideologia do Axé e suas implicações civilizacionais. Além disso, Helena Theodoro teve amplo contato e colaborações com Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento, referências máximas na luta pela equidade racial no país.

 

O trabalho em conjunto com elas e demais lideranças do movimento negro a motivaram a estudar também sobre disparidades multidisciplinares de gênero também nesse cenário. Assim sendo, tais fatores foram preponderantes para a sua atuação na Constituinte.

 

“Se para a mulher já existem dificuldades, elas são muito maiores para a mulher negra. Isso porque ela não é sequer vista nem como mulher: é vista como objeto de uso. Então, trabalhamos primeiro na Constituição com o sentido da importância da necessidade da propriedade da terra”, destaca.

 

Nesse sentido, um aspecto central dessa articulação culminou no desenvolvimento do artigo 68 da Constituição Federal de 1988. O desenvolvimento desse artigo contou com a participação da deputada federal e emblemática liderança negra Benedita da Silva. A saber, o texto do artigo tem a seguinte redação:

 

Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos. 

 

Ainda, em colaboração com Benedita da Silva e Lélia Gonzalez, entre demais lideranças, pôde-se colocar no texto constitucional outras pautas específicas à equidade de gênero. “Em relação às mulheres, conseguimos licença para a maternidade. Idem uma série de direitos de igualdade e de equiparação salarial, com  homens e mulheres tendo os mesmos direitos salariais. Foi uma série de coisas que fizemos [por meio de] uma visão de equidade racial

 

Para dar play e maratonar

Com apresentação de Maria Alice Setubal, presidente do Conselho Curador da Fundação Tide Setubal, e Sueli Carneiro, filósofa e ativista, coordenadora executiva do Geledés – Instituto da Mulher Negra, o programa coloca em pauta história e celebrar a trajetória de mulheres extraordinárias.

 

Ouça a íntegra do episódio com Helena Theodoro no feed do podcast Escute as Mais Velhas. Por fim, maratone também os outros episódios que compõem a primeira temporada e confira a segunda temporada do programa.

 

 

Texto: Amauri Eugênio Jr.

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