O que as inscrições no Prêmio Roseli Faria indicam sobre o perfil das pessoas participantes?
O caráter das inscrições no Prêmio Roseli Faria — Orçamento Público & Combate às Desigualdades evidencia a tendência da consolidação de profissionais de regiões e com perfis demográficos diversos

Pluralidade regional, étnico-racial e de gênero. Esses aspectos têm papel central quando se fala nas inscrições no Prêmio Roseli Faria — Orçamento Público & Combate às Desigualdades.
Com realização de Assecor (Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento), Fundação Tide Setubal, ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e Negras) e REPP (Rede de Economistas Pretas e Pretos), o prêmio objetiva fortalecer a produção de conhecimento sobre papel do orçamento público na garantia de direitos e no enfrentamento das desigualdades estruturais no Brasil.
Esta edição carrega consigo o nome e o legado de Roseli Faria, economista negra que idealizou o prêmio, cuja primeira edição aconteceu em 2022. Roseli dedicara sua carreira à defesa de uma política orçamentária comprometida com equidade e justiça social.
O perfil das pessoas pesquisadoras inscritas evidencia a consolidação de uma tendência observada nas edições anteriores do prêmio. Essa é, inclusive, uma das razões de ser da iniciativa. Nesse sentido, a diversidade em âmbitos regional, racial e de gênero manteve-se constante este ano e é preditora sobre a abrangência temática dos artigos enviados.
Esta edição recebeu 88 inscrições, entre as quais 71 foram elegíveis. Confira a seguir mais detalhes sobre os detalhes demográficos e particularidades nesse contexto.
Mergulho nas inscrições no Prêmio Roseli Faria
“Um olhar sobre a evolução do perfil das inscrições do Prêmio Roseli Faria evidencia um avanço importante na participação de mulheres, pessoas pretas, pardas e indígenas (PPIs) e pessoas com deficiência (PCDs) na autoria principal dos artigos.”
Essa afirmação de Marília Câmara Assis, profissional responsável pela Articulação de Políticas Públicas e Práticas Intersetoriais da Fundação Tide Setubal, dá o tom do papel central da pluralidade nas inscrições no Prêmio Roseli Faria.
Para se ter uma ideia, esta edição tem 64,8% de inscrições com autoria principal de mulheres, ao passo que 35,2% abrangem homens.
Ainda em comparação com a edição de 2025 da premiação, enquanto a versão anterior teve 55% de inscrições com autoria de pessoas pretas, pardas e indígenas (PPI), as submissões em 2026 chegaram a 63,4% nesse cenário.
Quanto à participação de pessoas com deficiência nesta edição, esse indicador chegou, então, a quase uma pessoa a cada dez (9,9%) em 2026. Como parâmetro, 2025, o primeiro ano que registrou participações de pessoas pesquisadoras com deficiência desde a criação do prêmio, o percentual foi de 7,8%.
Já quando se fala da distribuição regional dos territórios das pessoas autoras principais dos artigos submetidos nesta edição do Prêmio Roseli Faria, a composição seguiu a ordem a seguir:
- Nordeste: 25,4%;
- Norte: 4,2%;
- Sudeste: 52,1%;
- Sul: 5,6%;
- Centro-Oeste: 11,3%.
Para Marília Câmara Assis, a diversidade dos perfis das pessoas participantes amplia a participação no debate sobre o papel do orçamento na formulação de políticas públicas. Mas tal perspectiva vai além desse aspecto.
“A diversidade qualifica e fortalece também as reflexões sobre orçamento público e enfrentamento das desigualdades, ao incorporar perspectivas mais representativas, plurais e mais profundamente conectadas às realidades dos territórios e aos desafios concretos da promoção da equidade e da justiça social”, completa.
Próximas etapas
Por fim, confira as próximas etapas de seleção do Prêmio Roseli Faria — Orçamento Público & Combate às Desigualdades no site da iniciativa.
