Festival Lapena Vive mostra a história de luta e de conquistas da população do bairro
Realizado no Galpão ZL, o Festival Lapena Vive faz parte das celebrações de 20 anos da Fundação Tide Setubal

O Jardim Lapena vive na luta cotidiana da população para tornar o bairro um lugar melhor. Vive na solidariedade que marca a relação da vizinhança. Vive a cada vez em que uma pessoa entra no Ponto de Leitura do território e vê mundos possíveis revelarem-se a cada página. Vive na cadência da Bateria Pé na Porta, do E.C. Lapenna, e nos sorrisos de cada moradora e morador. O Jardim Lapena vive.
A pulsão de vida e de busca pela transformação da realidade do bairro deu o tom do Festival Lapena Vive. Realizada no Galpão ZL, núcleo de Prática de Desenvolvimento Local da Fundação Tide Setubal, a festividade foi o pontapé inicial das festividades que marcam os 20 anos da Fundação.
Nesse sentido, o evento seguiu a premissa do fazer com a comunidade. Artistas do bairro comandaram, então, as atrações musicais e cênicas, ao passo que empreendedoras e empreendedores do território comercializaram os seus respectivos produtos no Jardim Lapena.
Para além disso, as suas histórias foram, então, contadas por quem construiu e constrói o bairro. Os seus relatos, vozes, olhares e trajetórias estavam visíveis em videoinstalações disponíveis no espaço. Desse modo, a luta estava personalizada na exposição na qual foi possível ver as fotos de quem e faz o Jardim Lapena – e não mede esforços para, enfim, transformar a realidade local.

Participação da Bateria Pé na Porta (Foto: Domenica Pedroso)
O tecer de redes pelo qual o Lapena vive
“Se formos do começo, há uma raiz. Essa raiz, que vem crescendo, se transformou em uma árvore. Essa árvore é gigante agora e só dá bons frutos.”
Esta metáfora de Maria da Glória Oliveira, a Dona Glória, liderança histórica do Jardim Lapena e integrante do colegiado do Plano de Bairro, é didática sobre o desenvolvimento do bairro e a luta pela garantia de direitos para a população.
Os frutos aos quais ela se refere são as conquistas coletivas. Algumas delas passam pela requalificação das vias públicas, das construções de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e do piscinão para evitar a ocorrência de enchentes no território.
Isso conecta-se com outra analogia de Dona Glória: se a comunidade engatinhava e começou a andar, agora passou a “sair correndo”. Para além dessa dimensão, o Galpão ZL é um espaço de referência na busca por direitos e de novos horizontes. “Quem mora [no Jardim Lapena] há muitos anos já sabe que a melhoria está aqui. Quem está chegando a nós já está usufruindo de todas as melhorias que têm aqui”, ressalta Dona Glória.

Cleiton da Silva (Kaki), presidente da Sociedade Nova Jardim Lapenna, e Maria Alice Setubal (Foto: Domenica Pedroso)
Assim sendo, essa dimensão reflete como a Fundação Tide Setubal e a comunidade do Jardim Lapena aprenderam umas com as outras. Trata-se do “fazer com” e que coloca o território no centro das transformações socioespaciais.
“Cada vez mais nos apropriamos da ideia de que o território importa. O Jardim Lapena faz a diferença, pois queremos cada vez mais que todo mundo que está aqui tenha esse olhar de construir um bairro melhor para se viver”, comenta Maria Alice Setubal, presidente do Conselho Curador da Fundação Tide Setubal. Ainda, se todas e todos viverem melhor, os reflexos não ficarão apenas no bairro, mas irão também “para vários outros lugares que podem ter no Lapena a referência de uma construção realmente coletiva.”
Sobre novos horizontes e futuro
Entre as reflexões que vieram à tona durante o Festival Lapena Vive, o protagonismo da comunidade para o futuro foi recorrente. Durante sua participação, Letícia Naiara, moradora do Jardim Lapena desde a infância e integrante do GT de Juventude do bairro, destacou que “o território se permite a ser transformado” e que a comunidade está disposta a mudar a realidade local.
A construção de novos horizontes e perspectivas para o bairro trata-se, então, de algo comum entre as gerações que compõem o bairro. Trata-se, então, de um processo que dá sequência à luta de lideranças como Dona Glória. E essa abordagem reflete no modo como a jovem vislumbra o futuro do território. “Vejo muito amor entre as pessoas que moram aqui. Elas amam o bairro e a maioria não quer ir embora do bairro. Acho que há muita disposição em fazer no Jardim Lapena. As pessoas daqui são dispostas e topam tudo”, pondera.
Fotos: Marcos Roberto Morais
Luck Vas, idealizador e líder do projeto Revoada Terapia, fala sobre a busca de jovens por pertencimento e construção do que constitui a essência do Jardim Lapena. “Vejo a juventude do bairro tendo uma identidade e personalidade forte. Isso é algo se buscava muito em especial quando se fala de juventude”, comenta. “Acho que, por meio do Galpão ZL, a questão de identidade e de nos entendermos tem crescido muito.”
Por fim, as percepções de Letícia Naiara e de Luck Vas conectam-se com a reflexão apresentada por Malu Gomes, gestora do Ponto de Leitura do Jardim Lapena, a partir dos saberes do intelectual Nêgo Bispo. “Uma frase me acompanha há muito tempo e, acho, tem tudo a ver com o nosso fazer um coletivo: sonho que se sonha só é apenas um sonho. Mas o sonho que se sonha junto é realidade.”
Texto: Amauri Eugenio Jr.







