Schuma Schumaher: ‘O feminismo me fez gostar de ser mulher’
Em sua participação no podcast ‘Escute as Mais Velhas’, a ativista e educadora Schuma Schumaher fala sobre a intersecção de pautas e lutas em favor da equidade
A luta e os ensinamentos que a ativista e educadora Schuma Schumaher traz à tona mostram que a promoção da equidade é multidisciplinar e depende da integração de diversos fatores. Ou seja, não há luta por equidade de gênero isolada de raça e território – e assim por diante.
Esse foi um dos pontos centrais da sua participação no podcast Escute as Mais Velhas com Maria Alice Setubal, presidente do Conselho Curador da Fundação Tide Setubal, e Sueli Carneiro, filósofa e ativista, coordenadora executiva do Geledés – Instituto da Mulher Negra.
Durante o diálogo, Schuma Schumaher destacou que, com o passar do tempo, percebeu que a luta pela equidade de gênero era coletiva: “fui percebendo, obviamente, que não é uma uma mulher. São mulheres.” “Somos muitas e diversas. Quem ensinou isso foram as mulheres negras.”
Essa abordagem motivou Schuma a ver, então, como as pautas de ambos os segmentos eram complementares. Nesse sentido, a emancipação sexual tinha relação intrínseca com questões como trabalho, creche para filhas e filhos e acesso à saúde.
Desse modo, o feminismo precisava ser inclusivo para abraçar a pluralidade e proporcionar a expansão de horizontes sociais para segmentos sociais diversos do mesmo modo como aconteceu com ela. “Foi nessa convivência, nos brindes da vida, que o feminismo me fez gostar de ser mulher.”
Logo, entrou também em jogo outro aspecto: a alteridade em vez da competição. “Quando passei a gostar de ser mulher, passei então a gostar de mim mesma, a respeitar outras mulheres e olhá-las com mais afeto e carinho.
Feminismo em favor da humanidade
Ainda durante a participação no podcast Escute as Mais Velhas, Schuma Schumaher destacou como a integração da teoria feminista à luta cotidiana influenciou no modo como vê o mundo. “Sou hoje uma feminista em defesa da humanidade. Acho hoje que o feminismo precisa botar o seu dedo lá na economia e na questão ambiental. O feminismo tem de pensar o que é uma política educacional.”
Finalmente, Schuma reforça o papel do feminismo para denunciar injustiças e a violência, seja ela em âmbitos racial e de gênero.
“Foi o feminismo que trouxe [esse debate] e, portanto, alargou a compreensão de violência também no mundo. Considero, então, que o feminismo traz muitas pautas. Continuo hoje a ser uma feminista bem radical no sentido de que é possível que possamos ajudar a construir, de fato, uma sociedade um pouco melhor. E acho que temos de botar o dedo em vários lugares”, completa.
Para dar play e maratonar
Ouça a íntegra do episódio com Schuma Schumaher no feed do podcast Escute as Mais Velhas. Por fim, maratone também os outros episódios que compõem a primeira temporada do programa.
Texto: Amauri Eugênio Jr.
