

Há duas décadas a Fundação Tide Setubal atua com um mote central: o território importa!
Com o olhar e atuação voltados para o desenvolvimento das periferias, aprendemos que a presença, a permanência e o incentivo à ação comunitária podem tornar políticas e ações públicas mais efetivas. Afinal, a participação comunitária vai muito além de consultas em momentos específicos.
Isso inclui escuta e envolvimento nas decisões, apoiando inclusive os encontros com técnicos do poder público para uma construção que se viabiliza a partir dos desenhos que nascem na comunidade.
Ao retomarmos a nossa diretriz de centralidade dos territórios periféricos, reconhecemos as eleições como um momento fundamental para avaliarmos o desempenho dos nossos governos e definirmos que projeto de futuro queremos para o país. Por isso, defendemos que se o plano de governo não funciona para a periferia, ele não funciona para o Brasil.
Defender planos de governo que funcionem na periferia diz respeito a apoiar candidaturas que apresentem propostas políticas e levem em consideração a realidade cotidiana de moradores e moradoras dos territórios periféricos. É um ponto de partida que ganha força com o reconhecimento dos conhecimentos periféricos e na construção com os territórios ao longo dos mandatos.
Mas como destacar os territórios no centro das eleições na hora do voto e da escolha dos candidatos? Vale tentar responder algumas perguntas, passando a candidata ou candidato por um “filtro”.
Mais um aspecto precisa entrar nessa equação quando se trata dos territórios no centro das eleições. É necessário incluir ter gênero e raça em espaço de destaque e protagonismo.
A correlação entre território, raça e gênero é evidente — ou deveria ser pelo menos. Logo, qualquer projeto sério quando se fala em combater desigualdades e que se proponha a colocar o território em evidência tem de contemplar essas dimensões. Isso abrange propor caminhos para ampliação da diversidade nos espaços de decisão e alternativas de fortalecimento da equidade nos desenhos e implementação das políticas públicas.
Para tanto, mais camadas vêm à tona quando se fala em colocar o território no centro das decisões políticas de modo pleno e para além da retórica. Uma delas passa por fugir dos mesmos discursos sedutores que vendem soluções fáceis, mas pouco eficazes ou irrealizáveis.
Em suma, toda política tem um CEP. Com base nisso, precisamos reunir forças e mostrar a quem concorre a cargos nos poderes Legislativo e Executivo — que serão escolhidas e escolhidos por nós, inclusive — que os CEPs têm papel prioritário para o desenvolvimento das diversas periferias no Brasil. É fundamental colocar o território no centro das eleições e da construção de políticas públicas.
O território importa. O voto importa. A democracia importa.
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