

A nona temporada do podcast Essa Geração, produzido por Geledés – Instituto da Mulher Negra em correalização com a Fundação Tide Setubal, tem o tema política e juventude como fio condutor.
Nesse sentido, os cinco episódios foram gravados antes do período eleitoral e trazem convidados como Sueli Carneiro, Nina da Hora, Erica Malunguinho, Márcio Black e Jéssica Tavares. A temporada quer aproximar as juventudes, e em especial as negras e periféricas, do debate político, sem centrar-se em candidatos ou partidos.
A apresentadora Tatiana Pereira, assistente de projetos de comunicação de Geledés, conta que a equipe pensou em como tratar o tema em um ano de eleições. “Nós refletimos como é difícil atrair as juventudes para esse assunto”, diz.
A escolha foi evitar convites a pessoas candidatas e focar em temas amplos, como inteligência artificial, ética tecnológica, paridade racial no legislativo e a intersecção de raça e gênero na política institucional.
Fernanda Nobre, gerente de comunicação da Fundação Tide Setubal, também reflete sobre a escolha do tema. “A nona temporada do podcast Essa Geração se propôs a colocar em debate a questão política em diversas perspectivas. E, dentre elas, ressaltar que as juventudes das periferias precisam ter protagonismo nesse debate”.
Cada convidada abordou um aspecto do tema da nona temporada do podcast Essa Geração. Sueli Carneiro fez um clamor para que as juventudes não se abstenham. Já a ex-deputada estadual Erica Malunguinho, participante de um dos episódios, relatou à reportagem que, além da importância do tema, há um ato simbólico em participar do podcast
“Falar para as juventudes dentro do espaço de Geledés já traz uma dimensão política importante, pela história de quem construiu aquele lugar e de quem continua construindo”, diz.
Erica também destaca a importância de investir nas juventudes. “Outra coisa muito poderosa também é acreditar em quem está dando os primeiros passos da jornada, nas pessoas que estão olhando o futuro, mas fazendo o futuro a partir do presente acontecendo”, afirma.
Nina da Hora alertou para o cansaço causado pela enxurrada de informação. Desse modo, sua fala passa pela necessidade de checar se os conteúdos nessa época de eleições são gerados por meio de ferramentas de inteligência artificial ou se consiste em fake news.
Apesar do crescente movimento red pill, subcultura masculinista online que prega que os homens “despertaram” para uma suposta verdade oculta sobre as relações de gênero, decidiu-se tratá-lo dentro de um contexto maior de equidade de gênero. “É também uma escolha política não se deixar pautar por temas que vão contra os direitos que defendemos. No entanto, Nina conseguiu trazer esse tema dentro de outra lógica”, explica Tatiana.
Outro assunto importante veio à tona na participação de Márcio Black, ao ressaltar que é possível fazer política nos territórios e nos espaços que as juventudes frequentam. Para fechar, Jéssica Tavares trouxe, então, a perspectiva dos bastidores da câmara e da atuação junto à bancada feminina para mostrar como a política institucional acontece no dia a dia.
Por ter vivido intensamente o seu mandato, Erica traz importantes reflexões sobre o tema. A ex-deputada defende a necessidade de as juventudes entenderem o papel da esfera Legislativa. “A sociedade deve fiscalizar, investigar, ver o funcionamento, qualificar e melhorar. Precisamos entender que fazemos parte do processo como cidadãs e agentes políticos”, diz.
“Às vezes pensamos que as políticas públicas ‘caem do céu’, mas não é bem assim. Precisamos qualificar essa informação, mostrar para as pessoas que uma política pública é feita por muitos agentes e que todas podem participar, mesmo no âmbito institucional”, completa.
Erica Malunguinho fez questão de destacar a necessidade de que as juventudes negras sejam protagonistas no tema político a partir da consciência de sua negritude.
“Essa consciência sobre si corresponde à resposta da equação entre a opressão e a criação. Precisamos olhar criticamente para a nossa história, mas também pensar nas possibilidades de futuro, para gerar a aproximação com a vida cotidiana das pessoas”, afirma.
O podcast Essa Geração estreou em 2021. As quatro primeiras temporadas foram produzidas pela Rádio Novelo. Já a quinta teve como protagonistas as lideranças jovens Luciana Petersen e Caio Santos, respectivamente protagonistas das duas primeiras fases. Já a partir da sexta, o podcast passou a ter correalização de Geledés.
Tatiana Pereira acompanha a produção desde então: “No decorrer desses anos fomos melhorando e, com isso, ganhando prêmios, que nos orgulham muito. Por duas vezes conseguimos ganhar o Prêmio MOL de Jornalismo [em segundo lugar]. Isso vai trazendo um peso na hora da gente ir atrás dos entrevistados”, diz.
A nona temporada do podcast Essa Geração estreou em 30 de setembro, com a entrevista de Sueli Carneiro, na qual ela faz um chamado para as juventudes sobre o processo eleitoral.. “Queremos que os episódios tenham impacto nas eleições, ampliando o debate para as questões que de fato afetam as juventudes”, conclui.
Por fim, confira os episódios no Spotify e nas principais plataformas de streaming.
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