Cinco livros para compreender os impactos das desigualdades na saúde mental
Confira obras que mostram, em contextos diversos, como disparidades nas esferas racial, de gênero e territorial impactam as vidas das pessoas submetidas a realidades com esse teor

Você já parou para pensar nos impactos das desigualdades na saúde mental de pessoas em contextos diversos quando se fala em raça, gênero, classe, território e sexualidade? E como o acesso a cuidados e a tratamentos nesse contexto vem à tona?
Para ajudar na reflexão e ponderação sobre esses mesmos assuntos, preparamos uma seleção de cinco livros sobre essa temática. Nesse sentido, tais obras têm como objetivo ajudar a compreender como as desigualdades estruturais atravessam o bem-estar emocional. Essa abordagem mostra também como essas mesmas disparidades moldam experiências de sofrimento e criam barreiras para o cuidado.
Para além disso, essas mesmas produções evidenciam também por quais motivos é essencial considerar os diferentes contextos sociais na construção de políticas e práticas em saúde mental.
Esses mesmos livros mostram os impactos das desigualdades na saúde mental de modo aprofundado. Assim sendo, objetiva-se também compreender essa dinâmica a partir de perspectiva crítica, plural e comprometida com a equidade.
Confira a seguir, então, cinco obras que abordam, de modo multissetorial, aspectos diversos sobre o tema.

Holocausto Brasileiro: Genocídio: 60 mil mortos no maior hospício do Brasil, Editora Intrínseca (Daniela Arbex)
A obra, que é um clássico do jornalismo, expõe os pormenores do processo que culminou na instrumentalização de tratamentos de saúde mental em ferramentas de “limpeza social”. O livro retrata o genocídio que aconteceu no Hospital Colônia, em Barbacena (MG), que começaram a ser denunciados nos anos 1960.
Ao ser tratado como um espaço para os quais foram destinadas também pessoas dissidentes de gênero, mulheres vítimas de diversas dimensões de opressão patriarcal, pessoas em situação de rua, alcoólatras e que não se encaixavam nas normas sociais à época vigentes, por muitas vezes sem diagnóstico, o hospital foi sede de confinamento, tortura e mortes desses mesmos indivíduos.

Territórios Clínicos, Editora Perspectiva (org.: Tide Setubal, Viviane Soranso, Laís Guizelini e Fernanda Almeida)
Tendo a psicanálise como eixo teórico e se valendo de metodologias terapêuticas diversas, coletivos de saúde mental nas periferias relatam suas experiências e oferecem uma visão conectada com seus territórios de atuação.
Nesse sentido, a publicação, que foi lançada em 2024, é um desdobramento do Seminário Territórios Clínicos, realizado em 2023. Esse mesmo edital objetiva combater desigualdades na saúde mental quando se trata do acesso a tratamentos.
Essa obra tem como objetivo, então, fornecer subsídios para quem objetiva se envolver na construção de uma psicanálise decolonial, antirracista e socialmente comprometida.

Saúde Mental e Relações Raciais: Desnorteamento, Aquilombação e Antimanicolonialidade, Editora Perspectiva (Emiliano de Camargo David)
Com visão interseccional, o autor expõe como racismo, gênero e sexualidade e classe estruturam a manicomialização no Brasil, revelando a vulnerabilidade social imposta a negros, indígenas, mulheres e LGBTQIAPN+.
Ao demonstrar como o ambiente social é um fator preponderante para tornar fragilizar as pessoas integrantes desses grupos, o autor faz uma defesa contundente pelo fim das internações e o desmonte de manicômios. Desse modo, defende-se a construção de sistema coordenado de atenção e cuidado com a saúde mental de populações marginalizadas. Assim, objetiva-se que o atendimento a essas mesmas pessoas ocorra nos seus respectivos territórios.

Psicanálise na Ditadura (1964-1985): História, Clínica e Política, Editora Perspectiva (Rafael Alves Lima)
O objetivo do livro é reconstruir o papel que a psicanálise desempenhou no Brasil durante o período ditatorial entre 1964 e 1985. Nesse sentido, o trabalho do autor consistiu em pesquisa para destacar o papel que a ditadura civil-militar brasileira desempenhou nesse contexto. Tal abordagem contemplou, de modo contraditório, um processo de consolidação e de expansão no país.
Ao mostrar a aliança que setores liberais da sociedade civil estabeleceu com o autoritarismo militar, a obra apresenta contrapontos que representaram signos de resistência. Assim sendo, a existência de tais contradições foi a força motriz para o surgimento de correntes dos movimentos psicanalíticos como literatura crítica.

Bem-Viver: Saúde Mental Indígena, Editora Rede Unida (organização: Michele Rocha El Kadri, Suzy Evelyn de Souza e Silva, Alessandra dos Santos Pereira e Rodrigo Tobias de Sousa Lima)
A obra reúne saberes e experiências interdisciplinares na criação de materiais para formar profissionais e líderes sobre atenção psicossocial no enfrentamento à Covid-19 nos territórios indígenas da Amazônia.
Os textos que compõem a publicação passam por campos diversos do conhecimento. A saber, alguns desses segmentos abrangem áreas como psicologia, antropologia, medicina, ciências sociais e educação.
