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Como episódios de discriminação no mercado de trabalho afetam as trajetórias profissionais de pessoas negras?

Programas de influência

20 de maio de 2024
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Para além de percalços referentes à remuneração inferior a demais grupos sociorraciais e à sub-representação em postos de liderança, outros aspectos impactam de modo definitivo as trajetórias de pessoas negras no mercado de trabalho. Exemplos de como episódios de discriminação no mercado de trabalho afetam as trajetórias profissionais de lideranças negras não faltam.

 

Para se ter uma ideia, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), pessoas negras correspondem a mais da metade da taxa de desocupação profissional (65,1%). Ainda, quase 16% das mulheres trabalhavam em atividades domésticas.

 

Além disso, de acordo com estudo da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), microagressões – ou seja, declarações e comportamentos supostamente sutis, que transmitem mensagens depreciativas sobre pessoas pretas e pardas – impactam e prejudicam as trajetórias profissionais de pessoas negras, inclusive no desenvolvimento profissional.

 

Finalmente, um estudo da organização Coqual indicou que 40% de pessoas negras observam a existência de vieses no mercado de trabalho contra pessoas do mesmo grupo étnico-racial. Ainda segundo o mesmo levantamento, 19% das pessoas pretas relataram, então, sentir discriminação no dia a dia profissional – essa proporção foi de 7% para indivíduos pardos.

 

Nesse sentido, um aspecto para se considerar diz respeito à preocupação sem considerar possíveis impactos que as estruturas organizacionais poderão ter sobre as trajetórias profissionais de pessoas negras. Amanda Abreu, cofundadora da consultoria Indique uma Preta, traz esse ponto à tona.

 

“O mercado de trabalho se esquece da aceleração desse profissional: é necessário potencializar e acelerar essa pessoa. Não adianta contratá-la e deixá-la cinco anos no mesmo cargo – encontramos muito isso e vemos em caso de pessoas negras que já estão há muito tempo nas empresas, exercendo funções de gerência e de diretoria, mas na CLT dela está como assistente de alguma coisa – um cargo júnior ou pleno.”

 

Reflexos na prática

A série Caminhos – Trilhas Coletivas pela Equidade Racial passou por dimensões diversas relacionadas sobre como episódios de discriminação no mercado de trabalho afetam as trajetórias profissionais de pessoas negras.

 

O episódio O papel do RH pela diversidade nas empresas apresenta possibilidades para combater episódios com esse perfil. Ao mesmo tempo em que o debate sobre diversidade e inclusão esteja ganhando mais espaço nas estruturas de empresas e organizações. Idem como a implementação de culturas que dialoguem com esses propósitos, é fundamental considerar como elas são efetivas no dia a dia.

 

“A cultura no papel é muito bonita, mas como isso se reflete no dia a dia e nas relações entre as pessoas no seu cotidiano? Fomentar isso dentro da organização acaba partindo pelas pessoas que estão dentro do RH. A cultura consiste em pessoas e é o dia a dia. Como isso será fomentado, ao transformar em uma cultura efetivamente mais inclusiva e verdadeira?”, pondera Neusa Lopes, analista de diversidade e inclusão.

 

Entrevista à Fundação Tide Setubal, Amanda Abreu considera que o RH tem papel para pensar o desenvolvimento e o acolhimento de pessoas negras e demais grupos minoritários.

 

“O RH tem como função entender e monitorar a qualidade de vida da pessoa negra dentro desse ambiente. Isso não é só função do RH. Mas isso começa na entrada para esse profissional conseguir sensibilizar gestões e áreas com as quais precisa conversar”, destaca, finalmente. “Por exemplo, ter um RH que realmente saiba da importância para a inovação e aceleração dos negócios é uma premissa fundamental para outras áreas também. É essa a área que conseguirá criar aberturas para as outras áreas também.”

 

 

 

 

 

Assista ao episódio da série Caminhos: Trilhas Coletivas pela Equidade Racial sobre lideranças negras e RH

 

 

 

Texto: Amauri Eugênio Jr. / Foto: Pexels / fauxels


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