Livro ‘Galpão ZL, Jardim Lapena: 20 anos fazendo junto com a comunidade’ mostra o trabalho em parceria com a comunidade para transformar o território
Com parte da comemoração das duas décadas da Fundação Tide Setubal, a obra ‘Galpão ZL, Jardim Lapena: 20 anos fazendo junto com a comunidade’ mostra a atuação coletiva e lições desse processo

Galpão ZL, Jardim Lapena, zona leste, São Paulo, Brasil. O processo de transformação em escala segmentada tem alcance amplo. O território é um lócus de mudanças de paradigmas e mostra lições na promoção do bem viver para a construção de metodologias.
Essa reflexão é o ponto de partida da publicação Galpão ZL, Jardim Lapena: 20 anos fazendo junto com a comunidade – Práticas, histórias e aprendizados de transformação e do desenvolvimento do território.
A obra tem como objetivo registrar a história da Fundação Tide Setubal no Jardim Lapena por meio do Galpão ZL, núcleo de Prática de Desenvolvimento Local. Para além disso, a obra mostra o trabalho realizado em conjunto com a comunidade.
Mais do que isso: ao mesmo tempo em que tem caráter celebratório, ao registrar os 20 anos da Fundação – construindo legados, movimentando territórios -, a publicação objetiva manter essa memória viva.
A comunidade no centro da história
O livro Galpão ZL, Jardim Lapena: 20 anos fazendo junto com a comunidade vai além da construção da linha do tempo do trabalho desenvolvido pela Fundação Tide Setubal em parceria com a comunidade do bairro.
Nesse sentido, ao considerar a segunda parte do título da obra, trata-se da junção de práticas, histórias e aprendizados e metodologias de transformação e do desenvolvimento do território. A publicação mostra como a população do bairro tem papel central na mudança da realidade local.
A partir dessas reflexões, Maria Alice Setubal, presidente do Conselho Curador da Fundação Tide Setubal, reflete como ambas as partes aprendem uma com a outra:
“Durante nosso caminho por esses anos no Jardim Lapena, aprendemos muito com a convivência com moradoras e moradores e lideranças locais. Essas pessoas nos fizeram enxergar a cidade a partir da periferia, e não a partir do centro. Essa inversão do olhar se refletiu em consistência entre o discurso e a prática e no compromisso verdadeiro com a população local e com as políticas públicas para o desenvolvimento das periferias.”
Andrelissa Ruiz e Marcelo Ribeiro Silva durante o lançamento do Andrelissa Ruiz e Marcelo Ribeiro Silva estão no palco do Galpão ZL durante o lançamento do livro ‘Galpão ZL, Jardim Lapena: 20 anos fazendo junto com a comunidade’ (Foto: Marcos Roberto Morais)
Crescer e ser em conjunto
“Vocês poderão ver no livro a arquitetura do invisível, que é como as pessoas são acolhidas dentro do Galpão ZL. Todo mundo aqui tem uma história bonita de como foi acolhida, seja no desespero, felicidade ou na festa. Mas aqui [no Galpão ZL] as pessoas se sentem seguras.” (Marcelo Ribeiro Silva, gerente de Projetos Estratégicos da Fundação Tide Setubal)
Durante o evento de lançamento da publicação, Marcelo Ribeiro Silva, cuja história se entrelaça com a do Jardim Lapena, destacou um dos pontos principais e recorrentes no livro Galpão ZL, Jardim Lapena: 20 anos fazendo junto com a comunidade. Trata-se, assim sendo, de garantir o bem-estar e construir, em parceria com a população do bairro, condições para o bem viver de todas as pessoas que lá vivem.
“Como conseguimos colocar isso em páginas? Como conseguimos mostrar para as pessoas que o cuidado humano é muito importante? Acho que aqui a principal ferramenta do Galpão é o cuidado com as pessoas”, comenta.
Essa abordagem mostra como, por meio do processo para estabelecer relação de confiança com a comunidade, o fazer com é, mais do que um mantra, uma diretriz e regra de ouro. Mais do que isso: é o fio condutor e alicerce para a construção da metodologia resultante da atuação territorial.
A dinâmica que compõe as páginas da publicação contempla também o processo para fortalecer, desde os primeiros passos, a autonomia e participação política e cidadã da comunidade.
Causa e efeito
Este movimento, que reflete processos que culminaram na criação do Plano de Bairro do Jardim Lapena e dos grupos de trabalho (GTs) atuantes no território, assim como nas conquistas de direitos e de melhorias na infraestrutura, é
o que transforma o cotidiano local.
Isso reverbera por meio de obras de caminhabilidade e a construção de piscinões para não haver mais enchentes no território, da atuação das Guardiãs do Território e do ponto de luz que o Ponto de Leitura representa para quem o visita. Mas os exemplos vão muito além destes e estão visíveis nos olhares, sorrisos e mobilização da comunidade.
Como destacou Andrelissa Ruiz, coordenadora de Prática de Desenvolvimento Local da Fundação Tide Setubal, nas páginas da mesma obra, “se hoje o Jardim Lapena é referência de desenvolvimento local, tudo partiu da mobilização comunitária”.
Por fim, é sempre necessário destacar que a fonte mobilização comunitária é a mobilização das pessoas que atuam em grupo e aprend
em – e crescem – umas com as outras. “É, sobretudo, comemorar cada passo e manter acesa a chama do possível; já que, diante de tantas adversidades, tudo vai parecendo impossível, distante, que nada é para a gente. Mas aqui não, aqui cada um pega na mão do outro com a certeza de que tudo é para a gente, que podemos alcançar grandes conquistas”, finaliza Andrelissa.
Para baixar e aprender
Por fim, o livro Galpão ZL, Jardim Lapena: 20 anos fazendo junto com a comunidade – Práticas, histórias e aprendizados de transformação e do desenvolvimento do territórios está disponível para download no site da Fundação Tide Setubal.
Texto: Amauri Eugenio Jr.

