A pergunta que compõe o título deste texto tem resposta com diversas camadas, com direito a novos elementos surgidos diariamente. Ainda assim, alguns pontos sobre a predisposição comportamental e as preferências de quem se autointitula gamer dão o tom da pesquisa Identidade Gamer.
O estudo, desenvolvido pelo Laboratório de Impacto Gamer (LIGA), da Purpose, visa entender valores e territórios de gamers no Brasil. Para tanto, o estudo conduzido pela agência de pesquisa de tendências Box 1824 ouviu pessoas de 18 a 34 anos. Esse público era originário de diferentes classes sociais, posicionamentos políticos, gênero e regiões do Brasil. Confira a seguir quais são os perfis.
O estudo Identidade Gamer traçou seis perfis comportamentais. Cada um está relacionado a aspectos como valores, comunidades formadas, linguagens, temas abordados, motivações e influências. São eles:
A pesquisa Identidade Gamer faz um percurso histórico da indústria gamer, passando por pontos como a transformação da propaganda e, consequentemente, cultura sobre videogames. No caso, trata-se da mudança de foco, até então voltado à família, para o nicho composto por garotos – nesse sentido, essa perspectiva foi chamada de boyhood na pesquisa. Como consequência, esse caldo cultural e comportamental masculino desencadeou na discriminação contra meninas que recorriam a jogos eletrônicos e online.
O estudo destacou, nesse sentido, um ponto que vai na contramão do imaginário popular sobre quem curte jogos eletrônicos. Segundo informações da Pesquisa Game Brasil 2022, cujos dados foram destacados na pesquisa do LIGA, mais da metade de quem joga é formada por pessoas negras, mulheres e das classes C, D e E. Além disso, quase 42% usam smartphones para jogar. Isso foi importante para traçar seis perfis comportamentais.
“Existiam vários valores que queríamos entender para poder criar os perfis e não apenas o quanto a pessoa joga: saber o que e onde a pessoa joga, onde ela conversa sobre o jogo e quem ela considera uma inspiração na sociedade. Abre-se um leque maior”, explica Flávia Gasi, jornalista, escritora e diretora de narrativa. Flávia é também estrategista do LIGA.
Os seis perfis identificados na pesquisa Identidade Gamer dialogam, a partir de conversas sobre política com as pessoas entrevistadas, com quatro visões principais nesse sentido. A saber, são as seguintes:
Contudo, vale uma observação: tais categorias, assim como visões políticas, não são fixas. Ou seja, quem hoje se identifica com um ou mais desses contextos pode ter outra leitura de mundo em outro momento da vida.
“Foi muito importante criarmos esses perfis para entendermos um pouco mais o comportamento dessa população, as diferenças e as similaridades. Compreendemos depois os eixos políticos e entendemos quem está em cada um. Claro, isso é um indicativo, mas nem toda pessoa medalheira estará em uma visão de política antidoutrina. Talvez ela esteja convivendo em um espaço de sociabilidade onde essa visão é mais forte, comentada e dialogada do as outras”, completa Flávia Gasi.
+ Leia a entrevista completa de Flávia Gasi ao site da Fundação Tide Setubal
+ Confira a pesquisa Identidade Gamer
Texto: Amauri Eugênio Jr. / Foto: Alena Darmel / Pexels